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REFORMA

Governo Lula conquista aprovação do pacote de revisão de gastos no Congresso

O pacote fiscal aprovado inclui três propostas principais, que, segundo o Ministério da Fazenda, têm o potencial de gerar uma economia aproximada de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos

Prédio do Congresso Nacional - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Joédson Alves
Prédio do Congresso Nacional - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Joédson Alves

William Oliveira Publicado em 23/12/2024, às 08h33


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu, após intensas negociações, a aprovação de um pacote de revisão de gastos no Congresso Nacional. A articulação para a votação das propostas encontrou resistência, especialmente na Câmara dos Deputados, onde o governo precisou convencer um número significativo de parlamentares.

O pacote fiscal aprovado inclui três propostas principais: o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 210/24, o Projeto de Lei (PL) nº 4614/2 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 45/2024, vinculada à PEC 31/2007. Essas medidas foram apresentadas pela equipe econômica ao Congresso entre o final de novembro e o início de fevereiro. De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, as iniciativas têm o potencial de gerar uma economia aproximada de R$ 70 bilhões nos próximos dois anos.

Com a aproximação do recesso parlamentar, previsto para iniciar nesta segunda-feira (23), o governo enfrentou o primeiro grande desafio. Nos bastidores, muitos defendiam que a aprovação das matérias dependia da "vontade política" dos envolvidos. Para acelerar a tramitação, era crucial aprovar requerimentos de urgência, o que exigiu apoio dos líderes partidários que representam a maioria na Casa.

No entanto, líderes como Antonio Brito (PSD-BA) e Elmar Nascimento (União Brasil-BA) resistiram a assinar o requerimento de urgência, levantando dúvidas sobre a viabilidade das propostas. Apesar das dificuldades, os requerimentos foram apresentados e aprovados com uma margem apertada; por exemplo, o requerimento do PL obteve 260 votos favoráveis, quando o mínimo necessário era 257.

Atualmente, o governo Lula conta com 39 ministros, muitos deles vinculados a partidos políticos, estratégia que visa fortalecer a articulação no Congresso. Estão presentes no primeiro escalão representantes do MDB, PSD, Republicanos, PP, União e PT. Contudo, há descontentamento entre algumas siglas em relação à distribuição das pastas ministeriais, que consideram secundárias e pouco influentes.

Segundo informações do Metrópoles, membros da liderança partidária e da cúpula da Câmara apontam a necessidade de uma reforma ministerial. Eles alegam que o pacote de revisão de gastos só foi aprovado devido ao "clima natalino", mas também indicam que há desgaste nas relações políticas do governo.

Entre os partidos que ocupam ministérios, o União Brasil se destacou pelo maior número de deputados que votaram contra as propostas governamentais. O partido atualmente controla as pastas das Comunicações, Turismo e Integração e Desenvolvimento Regional.

No interior do PT, também há insatisfação com a composição atual da Esplanada. Líderes do partido acreditam que disputas internas têm prejudicado a condução governamental, criando divisões entre os integrantes da administração Lula e dificultando as ações do Executivo. Essa situação é frequentemente descrita como um "fogo amigo".

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, desempenhou um papel central na articulação das propostas, buscando diálogo com líderes partidários e designando seu secretário-executivo, Dario Durigan, para discutir possíveis alterações com as bancadas.

Por outro lado, o Executivo expressa frustração quanto ao desempenho dos ministros. O presidente Lula comentou abertamente sobre como as mensagens do governo não têm alcançado adequadamente a população brasileira, atribuindo aos baixos índices nas pesquisas de opinião essa falha comunicativa.

O ministro Paulo Pimenta é responsável pela comunicação institucional, mas Sidônio Palmeira — marqueteiro que ajudou na campanha de 2022 — é cotado para assumir essa pasta. Enquanto isso, Pimenta continua sendo visto como um ativo valioso e deverá ser realocado em outra função importante dentro da estrutura governamental.

A expectativa é de uma possível reforma ministerial ainda no primeiro semestre de 2025, coincidindo com a mudança na presidência do Congresso Nacional. Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL) estão programados para deixar seus cargos à frente do Senado e da Câmara, respectivamente.


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