Áreas críticas ainda enfrentam crescimento alarmante

Gabriela Thier Publicado em 08/04/2025, às 16h55
O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva(PT) na presidência do Brasil sinalizou um novo enfoque no combate ao garimpo ilegal em terras indígenas da Amazônia. Esta mudança de direção política trouxe consigo um aumento nas operações de fiscalização e repressão, resultando em uma redução significativa de 50% na média anual da devastação ambiental causada por essas atividades ilícitas.
Enquanto algumas regiões experimentaram uma diminuição acentuada na degradação, outras, preocupantemente, viram um crescimento nos índices de destruição. Os dados foram revelados pelo Greenpeace em um relatório intitulado "Ouro Tóxico: Como a Exploração Ilegal de Ouro na Amazônia Alimenta a Destruição Ambiental, as Violações dos Direitos Indígenas e um Comércio Global Obscuro", que está disponível para consulta pública.
De acordo com o relatório, entre 2023 e 2024, aproximadamente 4.219 hectares da floresta amazônica foram devastados devido à atividade do garimpo ilegal, resultando em uma média superior a 2.100 hectares por ano. Durante o governo anterior, a destruição acumulada foi de cerca de 16 mil hectares, correspondendo a uma média anual de cerca de 4 mil hectares, conforme dados coletados pelo MapBiomas com base em imagens de satélite.
Jorge Dantas, porta-voz do Greenpeace, expressou otimismo quanto aos esforços atuais do governo: "Até agora, a administração tem demonstrado comprometimento em combater o garimpo em terras indígenas. Vínhamos de um período em que a gestão era favorável à exploração econômica desses territórios".
A diminuição das áreas mais afetadas sugere que as iniciativas governamentais estão começando a produzir resultados visíveis. Por exemplo, na Terra Indígena Munduruku, a mineração ilegal caiu 57% em 2024 em comparação ao ano anterior. Na Terra Indígena Kayapó, houve uma redução de 31%, enquanto na TI Yanomami, essa queda foi de 7%.
Entretanto, o aumento da atividade garimpeira em certas áreas suscita preocupações. Na Terra Indígena Sararé, situada na região amazônica do Mato Grosso, as áreas exploradas ilegalmente aumentaram alarmantes 93% entre 2023 e 2024. O Greenpeace aponta que este território tem sido alvo de organizações criminosas ligadas ao Comando Vermelho.
Além disso, o relatório expõe as rotas utilizadas para a exportação do ouro extraído ilegalmente, que frequentemente acaba sendo enviado para países como Suíça, Canadá e Reino Unido, alimentando principalmente os mercados de joalheria e relojoaria. Segundo o documento, "o trajeto do ouro ilegal até se integrar à cadeia de fornecimento legal é intricado e abrange diversas etapas que incluem falsificação de documentos e registros minerários, além do contrabando e procedimentos irregulares de refinação".
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