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ESCÂNDALO FINANCEIRO

Garantia fantasma: Banco Master usou imóvel que não possuía em operação milionária com o BRB

Documentos revelam que terreno na Bahia nunca esteve no nome do Master, apesar de ter sido apresentado como garantia em contratos de quase R$ 200 milhões

Documento revela imóvel usado como garantia pelo Banco Master, apesar de não estar registrado em nome da instituição. - Imagem: Reprodução
Documento revela imóvel usado como garantia pelo Banco Master, apesar de não estar registrado em nome da instituição. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 08/04/2026, às 09h31


Novas evidências sobre o Banco Master revelam operações suspeitas com o Banco de Brasília, incluindo um crédito de R$ 198 milhões garantido por um imóvel que nunca pertenceu ao banco, intensificando a crise no sistema financeiro.

A empresa Lorde Participações, beneficiada pelo crédito, possui um capital social de apenas R$ 1 mil e já foi classificada como de alto risco, enquanto o mesmo imóvel foi utilizado como garantia em múltiplas operações, inflacionando seu valor em algumas delas.

A falta de registro formal da garantia expõe o BRB a riscos financeiros significativos e destaca falhas de governança no Banco Master, aumentando a pressão sobre órgãos reguladores para investigar as irregularidades nas operações financeiras.

Novas revelações envolvendo o Banco Master ampliam a crise no sistema financeiro e colocam sob suspeita operações bilionárias com o Banco de Brasília. Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação indicam que o Master utilizou como garantia um imóvel que, na prática, nunca pertenceu à instituição.

O caso envolve um crédito de R$ 198 milhões concedido à empresa Lorde Participações, que posteriormente foi vendido ao BRB. Para viabilizar a operação, o Master incluiu como garantia um terreno localizado em Mata de São João, avaliado em mais de R$ 240 milhões.

O problema, segundo a apuração, é que o imóvel nunca esteve registrado em nome do banco. Além disso, a matrícula do terreno não apresenta qualquer vínculo com o contrato firmado com o BRB — o que, na prática, inviabiliza a execução da garantia em caso de inadimplência.

A operação teve origem em dezembro de 2023, quando o Master liberou R$ 378 milhões à empresa por meio de um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI). Meses depois, o crédito foi repassado ao BRB, com a promessa de conversão para uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) e inclusão de garantias reais — o que, segundo os documentos, nunca se concretizou de forma válida.

A situação se agrava ao considerar o perfil da empresa beneficiada. Com capital social de apenas R$ 1 mil e prejuízo registrado, a Lorde Participações já havia sido apontada internamente como de alto risco pela área técnica do BRB.

Outro ponto que levanta suspeitas é a reutilização do mesmo imóvel em diferentes operações. O terreno na Bahia também teria sido apresentado como garantia em um segundo contrato, desta vez envolvendo mais de R$ 400 milhões. Em uma dessas negociações, o valor do imóvel chegou a ser inflado para R$ 1,4 bilhão.

Especialistas apontam que a ausência de registro formal da garantia representa uma falha grave de governança e compliance. Sem a devida vinculação legal, o ativo não pode ser executado judicialmente, o que expõe o comprador — neste caso, o BRB — a prejuízos significativos.

A crise envolvendo o Banco Master já vinha se aprofundando após uma série de denúncias sobre carteiras de crédito de baixa qualidade e operações consideradas irregulares. Agora, o caso da “garantia fantasma” reforça as suspeitas de fragilidade estrutural nas negociações e amplia a pressão sobre órgãos de controle e fiscalização.


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