Baptista Júnior discute reuniões entre líderes militares e destaca a falta de consenso como fator crucial para o fracasso do plano golpista

Gabriela Thier Publicado em 21/05/2025, às 16h01
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, fez revelações significativas durante seu depoimento na quarta-feira (21) sobre a tentativa de golpe que teria ocorrido no Brasil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Baptista Júnior afirmou que o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, advertiu Bolsonaro de que poderia enfrentá-lo com medidas legais caso ele tentasse se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022.
O testemunho foi prestado em meio a uma ação penal que investiga os acontecimentos relacionados ao plano de golpe, conforme denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Durante a audiência, o procurador-geral, Paulo Gonet, questionou Baptista Júnior sobre as declarações feitas por Freire Gomes, que negou ter falado em prisão, mas confirmou que alertou o então presidente sobre possíveis consequências legais.
Baptista Júnior esclareceu que acompanhou a repercussão das palavras de Freire Gomes e reiterou sua versão dos fatos. "Confirmo, sim senhor. Acompanhei anteontem a repercussão [do depoimento de Freire Gomes]. Estava chegando de viagem. Freire Gomes é uma pessoa polida e educada, não falou com agressividade, mas é isso que ele disse. Com tranquilidade, ele colocou exatamente isso: 'Se fizer isso, vou ter que te prender'", afirmou o ex-comandante da FAB.
Embora Freire Gomes tenha afirmado que não usou a palavra 'prisão', Baptista Júnior não vê contradições entre os dois depoimentos. Para ele, ambos corroboram a ideia de que houve um aviso claro ao presidente sobre as possíveis implicações jurídicas de suas ações.
A discussão entre os altos comandos das Forças Armadas ocorreu durante uma reunião em novembro de 2022 no Palácio da Alvorada, onde estavam presentes os principais líderes militares e Bolsonaro. Baptista Júnior também destacou uma reunião anterior com o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, em que foi apresentada uma minuta sugerindo que Luiz Inácio Lula da Silva não assumisse a presidência em 1º de janeiro de 2023.
Ele recorda que ao questionar Nogueira sobre o conteúdo do documento, recebeu silêncio como resposta, o que o levou a se recusar a participar daquela discussão. "Falei 'não admito sequer receber este documento nem ficarei aqui'", contou Baptista Júnior.
No decorrer do depoimento, ele ainda relatou que ouviu discussões sobre possíveis prisões de autoridades e mencionou especificamente o nome do ministro Alexandre de Moraes como um dos alvos das discussões golpistas. Quando perguntado pelo ministro Luiz Fux sobre os motivos pelos quais o plano não teve êxito, Baptista Júnior apontou para a falta de um consenso entre as Forças Armadas como um fator crucial para a frustração das tentativas.
Por fim, Baptista Júnior fez uma retificação em relação à sua declaração anterior sobre a participação do ex-ministro da Justiça Anderson Torres nas reuniões. Ele expressou incerteza quanto à presença de Torres e pediu para corrigir essa informação: "Eu falei de boa-fé, mas não tenho certeza da participação de Anderson Torres em alguma reunião".
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