Autoridades americanas condicionaram eventual revisão do tarifaço à eliminação de tributos sobre bens industriais, químicos, aeroespaciais e automotivos; medida entra em vigor em 22 de julho

Letícia Sales Publicado em 19/07/2026, às 11h38
O governo brasileiro recebeu uma nova exigência dos Estados Unidos para sequer considerar rever o tarifaço imposto pela gestão de Donald Trump contra produtos do Brasil. Segundo autoridades americanas ouvidas pelo Palácio do Planalto, os setores de bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo precisariam ter suas tarifas completamente zeradas para empresas dos EUA como pré-condição para qualquer redução das novas taxas.
O pedido se junta a outras demandas já apresentadas pelos americanos em encontros anteriores, entre elas a eliminação da tarifa sobre o etanol, o compromisso de não regulamentar plataformas digitais e a inclusão do sistema de pagamentos Pix nas negociações comerciais entre os dois países.
Uma ala do governo brasileiro avalia que o conjunto de exigências é "indigna" de negociação e "inaceitável". Auxiliares do Planalto argumentam que, se o Brasil cedesse às condições americanas, o prejuízo à economia nacional seria ainda maior do que o provocado pelas próprias tarifas, que devem atingir 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos — o equivalente a US$ 7,4 bilhões, segundo estimativa inicial do governo.
A decisão americana de sobretaxar produtos brasileiros reacendeu o embate político interno sobre quem seria o responsável pelo impasse. Enquanto a oposição atribui o resultado a falhas na condução das negociações pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo sustentam que a medida tem motivação "ideológica" e "política".
A nova taxação passa a valer em 22 de julho. Levantamento da diplomacia brasileira aponta que mais de 30 contatos foram feitos com representantes dos Estados Unidos desde o anúncio do tarifaço original, por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico.
Para interlocutores próximos ao governo Lula, o Departamento de Estado americano não deve abrir espaço para avanços concretos nas negociações ao longo deste ano, de olho no calendário eleitoral brasileiro. Ainda assim, o Planalto pretende manter um canal de diálogo aberto, com o objetivo de reduzir os efeitos da medida sobre os setores mais afetados.
A orientação interna é conduzir os próximos passos sem deixar "a emoção tomar conta" da estratégia, mantendo atenção redobrada aos movimentos dos atores americanos. Um negociador brasileiro avalia que o real interesse dos Estados Unidos, neste momento, é reunir argumentos para usar contra o Brasil.
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