O montante distribuído pelo Planalto neste ano representa quase 70% do total; o governo está tentando abrir caminho para futuras votações no Congresso

Marina Roveda Publicado em 12/05/2023, às 09h00
Após sofrer uma derrota na Câmara dos Deputados com a aprovação do PDL que derrubou os decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o Marco do Saneamento, o governo Lula 3 liberou mais de R$ 1 bilhão em recursos para parlamentares em dois dias. No total, foram R$ 700 milhões na terça-feira, 9, e R$ 433 milhões na quarta-feira, 10, somando R$ 1,1 bilhão. Essa liberação representa 68% de todo o montante distribuído pelo Planalto desde o início da gestão. Ao todo, desde o início do ano, foram empenhados R$ 1,6 bilhão.
A liberação das emendas parlamentares ocorre em meio a um cenário de dificuldades para o governo Lula, que vinha sendo criticado, inclusive por aliados políticos, por não cumprir acordos firmados com os congressistas. Os recursos chegam especialmente aos deputados às vésperas da votação do novo marco fiscal, considerado a primeira prova de fogo do governo. O relator da matéria na Câmara deve apresentar a versão final do texto até a sexta-feira, 12, e a votação em plenário acontecerá na próxima semana. Para que seja aprovado, o governo precisará consolidar 257 votos, o que reforça a necessidade de apoio na Casa Baixa.
Desde o início do governo Lula, os partidos mais contemplados com as emendas são: PT (R$ 197,2 milhões), PSD (R$ 156,9 milhões), MDB (R$ 144,7 milhões), União Brasil (R$ 131 milhões) e Progressistas (R$ 118,6 milhões). O União Brasil comanda três ministérios (Comunicações, Turismo e Integração Nacional) e, na votação do PDL, entregou 48 votos para anular a medida do presidente. Entre os congressistas, o governo privilegiou, em sua maioria, os aliados, sendo os mais contemplados: Mara Gabrilli (PSDB-SP), com R$ 26,7 milhões em emendas; Daniella Ribeiro (PSD-PB), com R$ 23,2 milhões; Jayme Campos (União-MT), com R$ 16,8 milhões; Renan Calheiros (MDB-AL), com R$ 16,2 milhões; e o líder do PT no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com R$ 15,6 milhões. O senador Romário, do Partido Liberal, também aparece no top-10 dos congressistas mais agraciados com recursos até aqui.
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