Diário de São Paulo
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REAÇÃO À CONDENAÇÃO

Eduardo Bolsonaro desafia Moraes e diz que ministro “não tem coragem” de enfrentar Trump

Condenado pelo STF por coação no curso do processo, ex-deputado afirma que sanções contra Alexandre de Moraes partiram dos Estados Unidos e volta a criticar a atuação da Corte.

Eduardo Bolsonaro durante entrevista após condenação pelo STF. Ex-deputado voltou a criticar Alexandre de Moraes e citou Donald Trump ao comentar a decisão da Corte. - Imagem:  Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Eduardo Bolsonaro durante entrevista após condenação pelo STF. Ex-deputado voltou a criticar Alexandre de Moraes e citou Donald Trump ao comentar a decisão da Corte. - Imagem: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Redação Publicado em 17/06/2026, às 10h53


Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF por coação no curso do processo, intensificando suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes e questionando a ausência de Donald Trump no caso, o que reflete um embate crescente entre o bolsonarismo e a Suprema Corte.

O ex-deputado alega que as sanções internacionais contra Moraes foram impostas por Trump e sugere que há um clima favorável para novas sanções, com discussões no governo dos EUA sobre a ampliação das medidas restritivas da Lei Magnitsky.

A defesa de Eduardo Bolsonaro planeja recorrer da decisão unânime do STF, que considera que ele tentou interferir na Justiça brasileira, enquanto a tensão entre o bolsonarismo e a Corte se intensifica em meio à preparação para as eleições de 2026.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a subir o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) após ser condenado pela Primeira Turma da Corte por coação no curso do processo. Em entrevista concedida nesta terça-feira (17), Eduardo afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “não tem coragem” de enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e questionou por que o líder norte-americano não foi incluído no mesmo processo.

A declaração ocorre um dia após o STF condenar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro por atuar, segundo a acusação, para pressionar autoridades norte-americanas contra ministros da Suprema Corte brasileira e interferir em processos relacionados à tentativa de golpe de Estado.

Durante a entrevista, Eduardo alegou que as sanções internacionais impostas a Alexandre de Moraes não foram provocadas por ele, mas sim por autoridades dos Estados Unidos.

“Quem decretou as sanções contra Moraes foi Donald Trump, junto com seus secretários. Não foi Eduardo Bolsonaro”, afirmou.

Na sequência, o ex-parlamentar questionou a ausência do presidente norte-americano no processo e afirmou que o ministro do STF evita confrontar diretamente líderes internacionais.

“Por que o Trump não está nesse processo? Porque eles não têm coragem”, declarou.

Eduardo também afirmou acreditar que existe um ambiente político favorável para novas sanções internacionais contra Alexandre de Moraes. Segundo ele, setores do governo norte-americano discutem a possibilidade de ampliar medidas restritivas relacionadas à chamada Lei Magnitsky, legislação utilizada pelos Estados Unidos para punir indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.

O ex-deputado sugeriu ainda que Moraes buscaria apoio institucional dentro do Supremo caso novas sanções fossem aplicadas.

As declarações reforçam o embate entre Eduardo Bolsonaro e o STF, que se intensificou nos últimos meses. Atualmente residindo nos Estados Unidos, o ex-parlamentar tem mantido uma série de contatos com lideranças conservadoras estrangeiras e se tornou uma das principais vozes internacionais em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A condenação foi decidida por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo. Segundo os ministros, Eduardo atuou para constranger e pressionar instituições brasileiras por meio de articulações políticas realizadas no exterior durante o andamento dos processos relacionados aos atos antidemocráticos.

A defesa do ex-deputado contesta a decisão e afirma que irá recorrer. Já o STF sustenta que houve tentativa de interferência indevida na atuação da Justiça brasileira.

O episódio amplia a tensão entre integrantes do bolsonarismo e a Suprema Corte em um momento de forte movimentação política visando as eleições presidenciais de 2026.


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