Ex-deputado confirma assinatura em contrato ligado à cinebiografia de Jair Bolsonaro e afirma que participação teve como objetivo manter diretor de Hollywood no projeto

Lívia Gennari Publicado em 15/05/2026, às 20h26 - Atualizado às 22h09
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro confirmou nesta sexta-feira (15), que assinou um contrato relacionado à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A obra, prevista para estrear em setembro, voltou ao centro de uma disputa de versões após novas revelações do site Intercept Brasil sobre a estrutura de financiamento e a atuação de envolvidos no projeto.
Segundo a reportagem, o documento atribui a Eduardo e ao deputado Mário Frias funções de produtores-executivos com participação em decisões financeiras e estratégicas do longa, produzido pela Go Up Entertainment. O filme teria um orçamento estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões, valor considerado elevado em comparação a produções premiadas no Oscar.
As reportagens também apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria aportado pelo menos R$ 61 milhões para viabilizar a produção. O Intercept afirma ainda que o senador Flávio Bolsonaro buscou recursos junto ao empresário, parte deles destinados a um fundo nos Estados Unidos ligado à estrutura do projeto.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro afirma que sua participação se restringiu a uma fase inicial da produção e nega qualquer irregularidade. Ele sustenta que não exerceu controle financeiro direto sobre o filme e que sua assinatura teria servido apenas para viabilizar a permanência de um diretor estrangeiro no projeto.
Eu peguei R$ 350 mil, transformei em cerca de US$ 50 mil e mandei para os Estados Unidos. Para garantir o contrato com o diretor de Hollywood, para que ele pudesse fazer o roteiro, começar a rascunhar, desenhar essa história que lá na frente, se conseguirmos um investidor ou um grupo de investidores, fazer o filme acontecer”, afirma o ex-deputado.
A nova declaração, contudo, vem menos de 24 horas depois de o próprio ex-deputado afirmar, em uma publicação nas redes sociais, que não exerceu qualquer posição de gestão no filme e que apenas cedeu seus direitos de imagem.
O ex-deputado também argumenta que, posteriormente, deixou a função executiva quando a estrutura de financiamento passou a envolver investidores e fundos internacionais. Segundo ele, nesse momento, sua atuação se limitou à cessão de direitos de imagem e ao suporte institucional ao projeto.
"Quando a estrutura passou a ser uma estrutura de fundo de investimentos, começou a ter outra estrutura, eu saí dessa posição de diretor-executivo, que era o contrato antigo com a produtora, e passei, então, a ser somente uma pessoa que assinou a sua cessão de direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme e depois eu não processasse o filme”, explicou.
Segundo a reportagem, mensagens e documentos também apontam para conversas internas envolvendo a circulação de recursos e possíveis formas de transferência de valores relacionados à produção do filme. Eduardo Bolsonaro, no entanto, contesta a versão apresentada e afirma que houve um “vazamento seletivo” de informações, alegando que os dados estão sendo usados para prejudicar sua imagem e a de familiares.
Algo criminoso para tentar assassinar a reputação do Flávio Bolsonaro porque ele lidera as pesquisas para presidente. Não tem nada de ilegal, nada de irregular".
Em outra frente, o caso também já alcança o campo institucional. O Supremo Tribunal Federal (STF) acompanha desdobramentos relacionados a repasses e possíveis vínculos entre recursos públicos e entidades ligadas à produção. O ministro Flávio Dino determinou a abertura de apuração preliminar sobre emendas parlamentares destinadas a organizações associadas à produtora do filme.
As apurações envolvendo o financiamento de “Dark Horse” seguem em andamento, enquanto diferentes versões sobre a participação de seus idealizadores continuam sendo contestadas publicamente.
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