Presidente defendeu negociações imediatas para evitar escalada de conflitos internacionais

Sabrina Oliveira Publicado em 23/10/2024, às 08h34
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo por negociações de paz durante sua participação na Cúpula dos Brics, realizada nesta quarta-feira (23). Lula discursou por videoconferência direto do Palácio da Alvorada, em Brasília, pedindo atenção especial aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que, segundo ele, têm potencial de se transformar em guerras globais.
"Estamos diante de duas guerras com capacidade de escalar para conflitos de proporção global. Precisamos impedir que isso aconteça e buscar a paz", afirmou o presidente. Lula mencionou ainda que a violência se espalha rapidamente para outras regiões, citando a Cisjordânia e o Líbano como novos focos de tensão no Oriente Médio.
O presidente brasileiro destacou o papel essencial do Brics na construção de um mundo multipolar, mais justo e menos desigual. Ele enfatizou que, ao assumir a presidência do bloco em 2025, o Brasil reafirmará o compromisso com relações internacionais mais equilibradas e a quebra de paradigmas financeiros que beneficiam apenas nações desenvolvidas.
"A lógica atual inverte o que deveria ser feito: são as economias emergentes que financiam o desenvolvimento dos países ricos. As iniciativas do Brics são uma tentativa de romper com esse sistema injusto", criticou Lula, referindo-se aos fluxos financeiros que seguem para as nações mais ricas.
Outro ponto abordado no discurso foi a crise climática. Lula frisou que os países ricos precisam assumir a maior parte da responsabilidade pelas mudanças climáticas, dado seu histórico de emissões. Ele cobrou mais investimentos para combater a crise e criticou a demora em cumprir promessas financeiras feitas às nações mais pobres.
O compromisso de destinar 100 bilhões de dólares anuais para financiamento climático foi firmado em 2009, mas só se tornou realidade em 2022. Precisamos ir além disso se queremos um futuro sustentável", destacou o presidente.
Lula deveria participar presencialmente da cúpula, mas cancelou sua viagem após sofrer uma queda no banheiro do Alvorada no último sábado (19). Por recomendação médica, ele seguiu as atividades de forma virtual, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o representou no evento.
Ao final do discurso, Lula reafirmou a importância da união entre os países do Brics para enfrentar os desafios globais. "Precisamos trabalhar juntos em prol de um mundo mais justo, onde cada nação, independente de sua riqueza, tenha voz e papel nas decisões internacionais", concluiu o presidente.
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