Durante discussão no plenário, o deputado Kim Kataguiri criticou proposta de mudança na jornada de trabalho e questionou eficácia da medida, enquanto defensores apontam avanço em direitos trabalhistas.

Ana Beatriz Publicado em 23/04/2026, às 14h05
A proposta de mudança na jornada de trabalho, conhecida como escala 6 por 1, reacendeu o debate no Congresso Nacional, revelando divisões entre parlamentares sobre seus efeitos na vida dos trabalhadores brasileiros.
O deputado Kim Kataguiri criticou a proposta, argumentando que a maioria dos trabalhadores atua na informalidade, o que limitaria o impacto das mudanças constitucionais, além de questionar a escolha de uma Proposta de Emenda à Constituição para a alteração.
O debate sobre a escala 6 por 1 continua no Congresso, com defensores vendo a proposta como um avanço social, enquanto críticos alertam para riscos de aumento da informalidade e custos para empregadores, em um contexto político e econômico cada vez mais polarizado.
A proposta de mudança na jornada de trabalho conhecida como escala 6 por 1 voltou ao centro do debate político no Congresso Nacional, evidenciando divergências profundas entre parlamentares sobre seus efeitos reais na vida dos trabalhadores brasileiros.
Durante discurso em plenário, o deputado Kim Kataguiri afirmou ser contrário ao modelo atual da escala 6 por 1, mas também criticou a proposta de alteração por meio de Proposta de Emenda à Constituição. Segundo ele, a medida, da forma como está sendo discutida, não teria impacto prático para grande parte da população economicamente ativa.
O parlamentar destacou sua própria experiência profissional no início da carreira, quando trabalhou sob esse regime, enfrentando longos deslocamentos dentro da cidade de São Paulo. Ele reconheceu que a redução da jornada pode trazer benefícios sociais, como mais tempo para lazer, família e estudos, mas questionou a efetividade da proposta em atingir trabalhadores que hoje estão fora do regime formal.
De acordo com o deputado, a principal limitação da proposta estaria no alcance. Ele argumentou que a maioria dos trabalhadores brasileiros atua na informalidade ou em modelos como pessoa jurídica, o que, na avaliação dele, impediria que mudanças constitucionais impactassem diretamente essa parcela significativa da força de trabalho.
Outro ponto levantado foi o instrumento legislativo escolhido. Para o parlamentar, a utilização de uma Proposta de Emenda à Constituição tornaria o processo mais longo e complexo, envolvendo etapas como análise na Comissão de Constituição e Justiça, comissão especial e votação em dois turnos no plenário. Ele defendeu que, caso houvesse intenção de implementação rápida, a mudança poderia ser conduzida por meio de projeto de lei.
O discurso também trouxe críticas diretas à condução política do tema. O deputado mencionou a deputada Erika Hilton, uma das vozes mais ativas na defesa da proposta, apontando ausência em sessões e questionando o engajamento no processo legislativo. As declarações fazem parte do ambiente de forte polarização que marca o debate em torno da pauta.
A discussão sobre a escala 6 por 1 envolve uma das principais tensões do mercado de trabalho brasileiro: o equilíbrio entre proteção ao trabalhador e impacto econômico nas empresas. Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, aumentar a produtividade e alinhar o Brasil a tendências internacionais. Já críticos alertam para possíveis efeitos colaterais, como aumento da informalidade, custos adicionais para empregadores e redução de oportunidades formais.
O tema também reabre discussões sobre experiências anteriores. Durante o discurso, o deputado citou a chamada PEC das domésticas, aprovada há cerca de uma década, como exemplo de medida que ampliou direitos, mas que, segundo críticas recorrentes no debate público, também foi acompanhada por crescimento da informalidade no setor. Especialistas, no entanto, apontam que os efeitos dessa legislação são complexos e envolvem múltiplos fatores econômicos e sociais.
Além da disputa técnica, o debate carrega forte componente político. Parlamentares favoráveis à proposta defendem a medida como avanço social e resposta a demandas históricas dos trabalhadores. Já opositores classificam a iniciativa como insuficiente ou inadequada para resolver problemas estruturais do mercado de trabalho brasileiro.
Outro eixo levantado no discurso foi a questão fiscal e estrutural. O deputado defendeu que melhorias reais na condição do trabalhador dependeriam de aumento de produtividade e redução de carga tributária, o que exigiria, segundo ele, revisão de gastos públicos e de benefícios dentro do próprio setor político.
A discussão segue em andamento no Congresso e deve avançar nas próximas etapas legislativas. Independentemente do desfecho, o tema já se consolida como um dos principais pontos de debate político e econômico, especialmente em um cenário pré-eleitoral, no qual pautas relacionadas ao trabalho e renda tendem a ganhar ainda mais visibilidade.
Leia também

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

Jaques Wagner recorre ao STF e pede anulação de operação da PF sobre supostos vínculos com ex-sócio do Banco Master

São Paulo entra em alerta para temporais, ventos fortes e queda brusca de temperatura

Tempestade paralisa França x Iraque e protocolo criado após tragédia na Nascar entra em ação nos EUA

Keir Starmer renuncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após pressão interna

Pix por aproximação passa a mostrar saldo e limite da conta antes do pagamento

São Paulo entra em alerta para temporais, ventos fortes e queda brusca de temperatura

Tempestade paralisa França x Iraque e protocolo criado após tragédia na Nascar entra em ação nos EUA

Jaques Wagner recorre ao STF e pede anulação de operação da PF sobre supostos vínculos com ex-sócio do Banco Master

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes