A CPI da Covid recebeu nesta quinta-feira (26) uma denúncia formal feita por um representante de médicos e ex-médicos da Prevent Senior em que afirmam que a

Redação Publicado em 27/08/2021, às 00h00 - Atualizado em 28/08/2021, às 12h24
A CPI da Covid recebeu nesta quinta-feira (26) uma denúncia formal feita por um representante de médicos e ex-médicos da Prevent Senior em que afirmam que a operadora de saúde e o governo federal fizeram um acordo, no início da pandemia do coronavírus, para testar e disseminar as medicações do “kit covid”, como cloroquina, ivermectina e azitromicina.
O documento cita uma série de irregularidades que, segundo os médicos, foram praticadas pela empresa, e reveladas pela GloboNews e o em abril deste ano. O Ministério Público abriu investigação. A Prevent Senior afirmou, por meio de nota, que sempre atuou “dentro dos parâmetros éticos”.
O primeiro desdobramento do acordo entre a Prevent e governo federal, segundo a denúncia, foi a pesquisa feita com mais de 600 pacientes para testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19, realizada entre março e abril do ano passado. O resultado teria sido manipulado para que os resultados fossem favoráveis ao uso da cloroquina contra a doença.
“Eu quero trazer aqui um assunto muito grave, gravíssimo. Eu recebi aqui uma correspondência, que é cópia de um processo que está sendo movido por um grupo de profissionais médicos ligados à rede Prevent Senior, em que formalizaram uma denúncia contra essa instituição, por conta da política de coerção que foi assumida por essa direção em termos de orientações aos profissionais médicos, para adotarem aquelas orientações do chamado tratamento precoce. Inclusive, aqueles que, em algum momento, se recusaram a implementar essas medidas foram demitidos”, afirmou o senador Humberto Costa (PT).
A denúncia afirma ainda que a Prevent realizou uma série de tratamentos experimentais em seus pacientes, muitas vezes sem que houvesse consentimento deles. O texto diz que pacientes foram usados como “cobaias humanas” para testar medicações contra a Covid.
“Uma das coisas que o hospital orientava era que os pacientes e os seus familiares não tivessem conhecimento de que essa experiência estava sendo feita, que não tivessem conhecimento de que estavam sendo administrados esses medicamentos. A informação que se tem é que isso foi um acerto entre a direção do hospital e o governo federal, contra aquelas orientações que havia do Ministério da Saúde, no período do ministro Mandetta. E o chamado gabinete paralelo estaria por trás dessa. Ele era o elo entre o Prevent Senior e o governo federal”, diz Humberto Costa.
Em nota, a Prevent diz que “sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais e, sobretudo, com muito respeito aos beneficiários. Todas as dúvidas e questionamentos formulados pela CPI foram devidamente esclarecidos junto às autoridades competentes.”
Entre os tratamentos não-convencionais mencionados está a ozonioterapia, a flutamida e a heparina inalatória. A denúncia é acompanhada por mensagens de Whatsapp de diretores da empresa.
Os médicos alegam que eram coagidos pela Prevent a prescrever as medicações do tratamento precoce de forma sistemática e que há um acompanhamento rigoroso do número de kits prescritos.
Há um requerimento aprovado pela CPI para que o diretor-executivo da Prevent, Pedro Batista Jr., seja ouvido. O relator da comissão, senador Renan Calheiros, afirmou que vai convocar mais representantes da empresa. O senador Randolfe Rodrigues (MDB) disse que os crimes narrados na denúncia são de “lesa-humanidade”. Simone Tebet (MDB) comparou os relatos com o que aconteceu em Manaus.
A comissão também aprovou requerimentos para que o Ministério Público de São Paulo, o IDEC, a ANS e o Cremesp compartilhem suas investigações com a CPI.
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G1
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