Declaração também ressaltou a responsabilidade do governo em implementar medidas concretas para combater o racismo e promover a igualdade racial no Brasil, conforme destacado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias

William Oliveira Publicado em 24/11/2024, às 10h27
O governo federal do Brasil emitiu um pedido formal de desculpas à população negra do país, reconhecendo a histórica escravização e os subsequentes impactos sociais sofridos por essa comunidade. Em uma cerimônia realizada em Brasília, no dia 21 de novembro, o advogado-geral da União, Jorge Messias, destacou o compromisso do Estado em enfrentar a discriminação racial e promover políticas públicas voltadas para a emancipação da população negra.
A declaração sublinhou a responsabilidade do governo em implementar medidas concretas para combater o racismo e buscar a igualdade racial no Brasil.
"A União manifesta publicamente o pedido de desculpas pela escravização das pessoas negras, bem como pelos seus efeitos. Reconhece que é necessário envidar esforços para combater a discriminação racial e promover a emancipação das pessoas negras brasileiras. Por fim, compromete-se a potencializar o foco de criação de políticas públicas com essa finalidade", afirmou Messias.
Durante o evento, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, relembrou a contínua luta da comunidade negra por liberdade e direitos igualitários. Ela destacou que esse reconhecimento oficial resulta dos esforços persistentes de diversos atores do movimento negro ao longo dos anos. Evaristo ressaltou que "essa memória de mais de 300 anos de escravidão não acaba no 13 de maio, porque o 14 de maio começa com o total abandono da população negra no país".
Por sua vez, Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, fez uma homenagem à sua irmã Marielle Franco, ex-vereadora assassinada em 2018, ao abordar o pedido de desculpas. Ela destacou que, em 2024, ocorreu a condenação dos responsáveis pelo assassinato de sua irmã e enfatizou a necessidade de um esforço coletivo para enfrentar os desafios sociais.
"Além do pedido de desculpas, no ano de 2024, nós tivemos a condenação dos assassinos de minha irmã. Não é normal a cada dia e em cada instante a gente ter que lidar com essas mazelas e essas dores. São desafios enormes e, por isso, é importante a gente pensar esse trabalho coletivo, um trabalho coletivo concreto", afirmou Anielle Franco.
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