Parceria prevê cooperação em pesquisa, inovação e financiamento para fortalecer a indústria e a transição energética

Erika Osti Publicado em 20/04/2026, às 21h48
Brasil e Alemanha formalizaram nesta segunda-feira (20), em Hannover, uma parceria estratégica voltada ao desenvolvimento de minerais críticos e terras raras, insumos considerados essenciais para a transição energética e para tecnologias de ponta. O acordo foi firmado durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, e estabelece diretrizes para cooperação científica, industrial e financeira entre os dois países.
A declaração conjunta de intenções envolve o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, com foco em ações integradas de pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses materiais. O objetivo é ampliar a capacidade tecnológica, estimular a industrialização e reduzir a dependência global de poucos fornecedores.
Os minerais críticos são fundamentais para a produção de baterias, painéis solares, turbinas e equipamentos eletrônicos, além de aplicações na área de defesa. Diante do avanço da economia de baixo carbono, esses recursos ganharam peso estratégico no cenário internacional. O Brasil, que concentra uma das maiores reservas do mundo, busca reposicionar seu papel nesse mercado.
Durante a agenda oficial, Lula afirmou que o país pretende ir além da exportação de matéria-prima e atrair etapas industriais para o território nacional. A estratégia passa por desenvolver cadeias produtivas completas, com maior valor agregado e base tecnológica, reduzindo a dependência de commodities.
O acordo prevê incentivo à inovação, com atenção especial a pequenas e médias empresas, além da criação de projetos conjuntos para exploração, extração e processamento sustentável dos minerais. Também estão previstos intercâmbio de pesquisadores, formação de pessoal técnico e cooperação acadêmica.
Um dos principais pontos é a elaboração de um programa bilateral de financiamento direto para instituições e empresas dos dois países, previsto para 2026. A iniciativa deve apoiar soluções tecnológicas e fortalecer a competitividade industrial, com foco em sustentabilidade e soberania tecnológica.
A parceria integra um conjunto mais amplo de entendimentos firmados durante a visita de Lula à Alemanha. Ao todo, foram assinados outros 14 atos de cooperação, incluindo acordos nas áreas de inteligência artificial, defesa, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular, além de ações voltadas ao combate de crimes ambientais, como desmatamento e mineração ilegal.
Na área climática, os países avançaram em uma carta de intenções para ampliar o financiamento de projetos ambientais no Brasil. O banco alemão de desenvolvimento KfW deve aportar cerca de 500 milhões de euros no Fundo Clima, destinado a iniciativas de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas. Também foram anunciados investimentos que podem alcançar R$ 4,1 bilhões em tecnologias verdes e mobilidade sustentável.
A visita reforça o status de parceria estratégica entre Brasil e Alemanha, o mais alto nível de relação diplomática mantido pelo país europeu. Em um cenário internacional marcado por instabilidade econômica e geopolítica, Merz destacou a importância de ampliar alianças com interesses convergentes.
Além da agenda bilateral, Lula participou da abertura da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, na qual o Brasil é o país parceiro desta edição. O presidente também se reuniu com empresários e defendeu a ampliação de investimentos, especialmente no setor de biocombustíveis, apontado como uma das principais oportunidades de cooperação entre os dois países.
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