Presidente Lula oficializa apoio à candidatura da ex-presidenta chilena à Secretaria-Geral das Nações Unidas

Erika Osti Publicado em 02/02/2026, às 15h55
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (2) o apoio do Brasil à candidatura da ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O gesto coloca oficialmente o país na articulação internacional para a sucessão do atual chefe da entidade, o português António Guterres, cujo mandato termina em dezembro de 2026.
A candidatura de Michelle Bachelet, de 74 anos, foi formalizada em Santiago nesta segunda-feira, durante cerimônia no Palácio de La Moneda conduzida pelo presidente chileno Gabriel Boric. A iniciativa contou com o apoio político do Brasil e do México e integra uma articulação diplomática regional para fortalecer uma candidatura latino-americana à sucessão no comando das Nações Unidas.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil apoia a candidatura “com muita honra” e defendeu que, após oito décadas de existência da ONU, a organização seja comandada por uma mulher. Para o presidente, a experiência política e internacional de Bachelet a credencia para liderar a entidade em um cenário global marcado por conflitos armados, tensões diplomáticas e desafios à democracia.
Michelle Bachelet foi presidenta do Chile por dois mandatos, entre 2006 e 2010 e de 2014 a 2018, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo no país. No sistema das Nações Unidas, comandou a ONU Mulheres como diretora-executiva entre 2010 e 2013 e exerceu o posto de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos de 2018 a 2022, período em que ganhou projeção internacional.
O atual secretário-geral, António Guterres, foi reconduzido ao cargo em 2021 para um segundo mandato de cinco anos, iniciado em 1º de janeiro de 2022 e com término previsto para 31 de dezembro de 2026. O sucessor será escolhido ao longo de 2026 e assume oficialmente em 1º de janeiro de 2027.
O processo de escolha envolve a indicação de candidatos pelos países-membros, seguida de recomendações do Conselho de Segurança e votação final na Assembleia Geral, composta por 193 países. Embora o apoio de governos influentes seja relevante, a eleição depende de negociações diplomáticas complexas e não há garantia de vitória antecipada.
Ao endossar Bachelet, o Brasil sinaliza uma estratégia de reposicionamento no cenário internacional e reforça a defesa do multilateralismo. A eventual eleição da ex-presidenta chilena também teria caráter histórico, já que a ONU nunca foi comandada por uma mulher desde sua fundação, em 1945.
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