Nadine Heredia, esposa do ex-presidente peruano, busca proteção no Brasil após ser condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro

William Oliveira Publicado em 16/04/2025, às 09h20
Na terça-feira (15), o governo brasileiro concedeu asilo diplomático a Nadine Heredia, esposa do ex-presidente peruano Ollanta Humala. A decisão foi tomada após Heredia buscar refúgio na embaixada do Brasil, em Lima, ao ser condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, em um processo ligado à construtora Odebrecht e ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Peru, Heredia formalizou o pedido com base na Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954, tratado assinado tanto por Peru quanto por Brasil. Após a concessão do asilo, o governo peruano informou que garantirá uma passagem segura para a saída de Heredia e de seu filho do território nacional.
A chancelaria peruana explicou que “o governo do Brasil solicitou a retirada dos asilados, conforme os artigos V e XII da convenção mencionada”. Esses artigos permitem ao país que concede o asilo solicitar a saída do asilado para outro local, e obrigam o Estado anfitrião a oferecer as condições necessárias para essa transferência, salvo em casos de força maior.
Nadine Heredia foi apontada como peça-chave na arrecadação de recursos ilícitos que teriam financiado as campanhas presidenciais de Humala em 2006 e 2011. As investigações indicam que o casal teria recebido cerca de US$ 3 milhões da Odebrecht e outros US$ 200 mil do governo venezuelano. Após a sentença, Humala foi levado sob escolta para cumprir pena até 28 de julho de 2039. Já Nadine, embora tenha tido a prisão decretada, não compareceu à audiência, alegando problemas de saúde. Ambos negam as acusações e afirmam serem inocentes.
Com essa condenação, Ollanta Humala se torna o terceiro ex-presidente do Peru a ser sentenciado por corrupção nos últimos 20 anos. Ele se junta a Alejandro Toledo (2001–2006), condenado a 20 anos de prisão em 2024 por crimes relacionados à Odebrecht, e Alberto Fujimori (1990–2000), que cumpre penas por corrupção e violações de direitos humanos. Pedro Pablo Kuczynski (2016–2018) também é investigado no mesmo escândalo e pode ser o próximo a enfrentar a Justiça.
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