Procedimento foi autorizado pelo STF após laudo médico e não tem caráter de urgência, segundo avaliação da Polícia Federal

Manoela Cardozo Publicado em 24/12/2025, às 10h44
O ex-presidente Jair Bolsonaro será internado nesta quarta-feira, dia 24, para a realização de uma cirurgia eletiva de correção de hérnia inguinal bilateral, prevista para a quinta-feira seguinte. A intervenção médica foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após análise de um relatório elaborado por peritos da Polícia Federal.
De acordo com a avaliação técnica, a cirurgia é necessária para evitar a progressão do quadro clínico, embora não haja indicação de urgência ou emergência. Os médicos apontaram que o problema pode causar desconforto progressivo e riscos futuros caso não seja tratado de forma adequada.
A hérnia inguinal ocorre quando parte de órgãos internos, geralmente o intestino, atravessa um ponto de fragilidade da parede abdominal na região da virilha, formando um abaulamento visível ou perceptível ao toque. Quando esse deslocamento acontece dos dois lados do corpo, o quadro recebe a classificação de bilateral. Em muitos casos, os sintomas incluem dor, inchaço ou sensação de peso, especialmente durante esforços físicos, crises de tosse ou longos períodos em pé, embora também possa evoluir de forma silenciosa.
Além da hérnia, os peritos também analisaram os episódios recorrentes de soluços apresentados por Bolsonaro, que se tornaram uma das principais queixas recentes de saúde. O laudo concluiu que o bloqueio do nervo frênico é uma conduta tecnicamente adequada para o caso. O procedimento, realizado com anestesia local e guiado por imagem, reduz temporariamente a atividade do nervo responsável pelo controle do diafragma e costuma ser indicado quando os soluços são persistentes e não respondem aos tratamentos convencionais.
Especialistas explicam que a formação de hérnias está relacionada ao enfraquecimento das estruturas que sustentam os órgãos abdominais. Esse desgaste pode ser congênito ou adquirido ao longo da vida, principalmente após cirurgias anteriores, traumas ou processos inflamatórios que geram cicatrizes internas. No caso de pacientes submetidos a múltiplas intervenções, como é o histórico do ex-presidente, a presença de aderências e fibroses pode favorecer tanto o surgimento de hérnias quanto alterações no funcionamento do intestino.
A correção cirúrgica pode ser feita por técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia, ou por cirurgia aberta, dependendo da complexidade do caso. Em ambos os métodos, o objetivo é reposicionar o intestino dentro da cavidade abdominal e reforçar a parede enfraquecida, geralmente com o auxílio de uma tela que oferece maior sustentação aos tecidos. Em situações sem complicações, a recuperação costuma ser rápida, com alta hospitalar em um ou dois dias e restrição temporária a esforços físicos.
Médicos ressaltam que, apesar de coexistirem no mesmo paciente, a hérnia inguinal não tem relação direta com os episódios de soluço. Esses espasmos involuntários do diafragma podem estar associados a outras condições do trato digestivo, como refluxo ou hérnia de hiato, que afetam regiões diferentes do organismo e possuem mecanismos distintos.
A expectativa é de que o procedimento ocorra dentro da normalidade e contribua para a estabilização do quadro clínico do ex-presidente, sem impacto imediato em sua rotina jurídica ou política.
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