Depoimento à PF aponta crise severa de liquidez e dificuldades de pagamento no conglomerado financeiro

Letícia Sales Publicado em 30/01/2026, às 11h58
O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o Banco Master possuía apenas cerca de R$ 4 milhões em caixa antes de ter a liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária. A declaração foi prestada em 30 de dezembro e os vídeos do depoimento foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Segundo Aquino, apesar de o Banco Master ser classificado como uma instituição de médio porte, com aproximadamente R$ 80 bilhões em ativos totais, a situação de liquidez era considerada crítica. De acordo com o diretor, bancos desse porte costumam manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres para garantir o funcionamento diário. No caso do Master, porém, o caixa disponível era de apenas R$ 4 milhões no momento que antecedeu a intervenção.
No depoimento, o diretor destacou que o acompanhamento rigoroso da instituição pela área de supervisão do Banco Central era essencial diante do agravamento da crise de liquidez. Ele explicou que havia incertezas constantes sobre a capacidade do banco de fechar o caixa diariamente, o que acendeu alertas no regulador.
Aquino também mencionou problemas enfrentados pela Will Financeira, nome fantasia do Will Bank, que integra o conglomerado do Banco Master. Segundo ele, a instituição vinha apresentando dificuldades recorrentes para honrar pagamentos, o que contribuiu para o aprofundamento da crise. Inicialmente, o Will Bank foi colocado sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet), mecanismo que permite ao Banco Central assumir o controle da instituição para evitar prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
De acordo com o BC, a intenção inicial era preservar a operação do Will Bank, considerado relevante por seu foco em inclusão financeira de pessoas de renda média e baixa. A liquidação não foi decretada de imediato para permitir a possível venda da instituição a um investidor estrangeiro, de origem árabe, que demonstrava interesse no negócio. A negociação, no entanto, não avançou.
A situação se agravou após o descumprimento de compromissos financeiros com a Mastercard. Em razão das dívidas, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank, o que acelerou a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
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