Arquivos revelados pela Justiça americana reúnem denúncias antigas e nomes influentes

Gabriela Nogueira Publicado em 31/01/2026, às 13h22
Uma nova divulgação de documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein voltou a colocar nomes poderosos no centro de acusações graves. Entre os mais de três milhões de arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, aparecem relatos de uma denúncia segundo a qual uma menina de 13 anos teria acusado o atual presidente americano, Donald Trump, de violência sexual ocorrida décadas atrás.
Os registros fazem parte do chamado Epstein Files, conjunto de materiais reunidos ao longo das investigações que apuraram crimes cometidos pelo financista, condenado por abuso sexual de menores e conhecido por manter relações próximas com empresários, políticos e celebridades. As informações reveladas nesta sexta-feira reúnem depoimentos, rascunhos de processos e comunicações internas que ainda não haviam sido amplamente divulgados.
De acordo com os documentos, a acusação envolvendo Trump foi apresentada por uma jovem que relatou ter sido abusada quando ainda era adolescente. O material descreve situações supostamente ocorridas há cerca de 35 anos e também cita a presença de Epstein em episódios narrados pela denunciante. Não há registro de condenação ou denúncia criminal formal contra Trump relacionada a esses fatos.
Além do presidente dos Estados Unidos, os arquivos mencionam outros nomes conhecidos, como Bill Gates e Elon Musk. No caso de Gates, aparecem referências a trocas de mensagens e comentários pessoais encontrados em equipamentos ligados a Epstein. O empresário já negou, em ocasiões anteriores, qualquer envolvimento ilícito. Já Musk é citado em e-mails que indicam uma relação cordial com Epstein e a tentativa de agendar um encontro, que, segundo os próprios registros, não chegou a acontecer.
A divulgação reacendeu questionamentos sobre a extensão da rede de contatos de Epstein e o grau de conhecimento que pessoas influentes tinham sobre suas práticas. Parte do material já havia sido mencionada em divulgações anteriores, mas o volume agora publicado amplia o alcance das informações e traz novos detalhes sobre bastidores da investigação.
Trump, que aparece nos arquivos, voltou a questionar a credibilidade dos documentos. Em declarações passadas, ele afirmou que algumas alegações ligadas ao caso são falsas ou exageradas e disse que a divulgação irrestrita dos arquivos poderia prejudicar pessoas inocentes. O Departamento de Justiça já declarou anteriormente que a simples citação de nomes nos documentos não equivale a comprovação de crime.
O caso Epstein começou a ser investigado em 2005, após denúncias feitas por famílias de adolescentes na Flórida. Apesar de relatos consistentes de abuso, o financista firmou um acordo judicial que limitou sua punição à esfera estadual. Anos depois, novas apurações federais ampliaram o escândalo, que ganhou dimensão internacional e levantou críticas ao sistema de Justiça americano.
Com a publicação da nova leva de documentos, o debate sobre transparência, responsabilização e proteção de vítimas volta ao centro da discussão pública nos Estados Unidos e em outros países.
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