Diário de São Paulo
Siga-nos

Alcolumbre sustenta quebra dos sigilos de Lulinha e ignora pedido de aliados de Lula

Decisão foi anunciada após recurso de governistas que alegaram irregularidades na votação da CPMI do INSS; sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva continuam quebrados.

A CPMI do INSS segue movimentada com a manutenção da quebra dos sigilos de Lulinha - Imagem: Reprodução
A CPMI do INSS segue movimentada com a manutenção da quebra dos sigilos de Lulinha - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 04/03/2026, às 13h12


O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, confirmou a manutenção da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após um recurso da base governista que questionava a votação na CPMI do INSS, que já havia aprovado a medida.

A votação foi marcada por tumultos e alegações de falhas, mas Alcolumbre sustentou que a contagem de votos foi legítima, com a maioria necessária para a aprovação da quebra dos sigilos sendo confirmada.

Com a decisão, a investigação sobre Lulinha, que envolve possíveis negócios com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, avança, enquanto os parlamentares da base governista continuam a contestar a condução da CPMI.

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou nesta terça-feira (3/3) a manutenção da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada após um recurso da base governista, que questionava a validade da votação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que havia aprovado as quebras de sigilos de Lulinha na semana passada.

O recurso foi apresentado por parlamentares do PT, que alegaram falhas no processo de votação da CPMI e que, segundo eles, não havia uma maioria suficiente para aprovar a medida. A votação foi marcada por tumultos e contradições quanto à contagem dos votos, mas, ao analisar o caso, Davi Alcolumbre decidiu apoiar o parecer da Advocacia do Senado e rejeitar o pedido dos governistas.

Alcolumbre esclareceu que, mesmo considerando os parlamentares da base do governo, o número de votos contrários à quebra dos sigilos não seria suficiente para anular a medida. “O número de votos contrários não seria suficiente para a configuração da maioria. Isso porque o quórum de presença do momento, mostrado no painel e verificado na votação anterior, era de 31 parlamentares. A maioria, com esse quórum, portanto, equivale a 16 parlamentares”, afirmou o presidente do Congresso.

A CPMI do INSS começou a investigar desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, durante os trabalhos, surgiram referências a um possível envolvimento de Lulinha com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negócios envolvendo a área da saúde, inclusive com o fornecimento de cannabis para o Ministério da Saúde.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) foi um dos críticos mais enfáticos da condução da votação. Durante a sessão que aprovou a quebra dos sigilos, ele alegou que houve erro na contagem dos votos e chegou a pedir ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a anulação da deliberação, mas teve o pedido rejeitado.

Em sua análise, Davi Alcolumbre reforçou que a condução da votação foi legítima, descartando qualquer irregularidade que pudesse justificar a anulação do resultado. “Em respeito aos precedentes, não se faz necessário, no presente momento, uma intervenção da Presidência da Mesa do Congresso na reunião de 26 de fevereiro de 2026”, concluiu o presidente do Congresso.

A decisão de Alcolumbre manteve os sigilos quebrados, o que aumenta a pressão sobre Lulinha, que continua sendo investigado no contexto das apurações sobre o INSS. No entanto, os governistas seguem contestando a condução da CPMI e as alegações de irregularidade.


últimas notícias