Vice-presidente representava Lula no evento organizado pela CNM e ouviu manifestações contrárias e aplausos ao defender relação institucional com prefeitos de diferentes partidos.

Ana Beatriz Publicado em 19/05/2026, às 14h46
Durante a abertura da Marcha dos Prefeitos em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin foi vaiado ao representar o presidente Lula, refletindo descontentamento entre os prefeitos presentes e destacando a tensão política atual.
O evento, que reúne gestores públicos para discutir pautas municipalistas, viu Alckmin defender a cooperação entre o governo federal e os municípios, enfatizando que o presidente Lula não discrimina prefeitos por partido.
As vaias a Alckmin, que ecoaram nas redes sociais, reavivaram discussões sobre a relação entre o governo e os municípios em um contexto de polarização política, enquanto o evento também contará com pré-candidatos à presidência.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), foi alvo de vaias na manhã desta terça feira (19), durante a abertura da Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília. As manifestações ocorreram no momento em que Alckmin iniciou seu discurso representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpria agenda oficial em São Paulo.
O episódio aconteceu por volta das 11h10, quando o vice-presidente foi chamado ao palco principal do evento organizado pela Confederação Nacional de Municípios. Assim que começou a cumprimentar os participantes, o plenário se dividiu entre aplausos e vaias, manifestações que puderam ser ouvidas inclusive durante a transmissão oficial da cerimônia.
Alckmin também voltou a ser vaiado ao final da fala, por volta das 11h30, embora em intensidade menor. Durante o discurso, o vice-presidente fez um balanço das ações do governo federal voltadas aos municípios e defendeu uma relação institucional sem distinção partidária entre prefeitos e o Palácio do Planalto.
“O presidente Lula nunca perguntou para prefeito nenhum de que partido ele era”, afirmou Alckmin durante o evento. Em outro momento, o vice-presidente declarou que governantes não podem agir como “capitães do mato”, em referência à necessidade de cooperação federativa e respeito entre os entes públicos.
A Marcha dos Prefeitos é considerada um dos maiores encontros políticos e administrativos do país, reunindo anualmente prefeitos, vereadores, secretários municipais e gestores públicos de diversas regiões do Brasil para debater pautas municipalistas, orçamento, repasses federais e políticas públicas.
O episódio envolvendo Alckmin repete situações semelhantes enfrentadas pelo presidente Lula em edições anteriores do encontro. Em 2025, o petista também foi vaiado durante sua participação na cerimônia, tanto no momento do anúncio de seu nome quanto durante o discurso e no encerramento do evento. Em 2024, Lula já havia enfrentado reações semelhantes no mesmo encontro promovido pela CNM.
Além de Geraldo Alckmin, outros integrantes do governo federal participaram da abertura da Marcha dos Prefeitos como representantes da gestão Lula. Estiveram presentes os ministros Luiz Marinho, Esther Dweck, Gustavo Feliciano e José Guimarães.
Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, também acompanharam a abertura do encontro.
A edição deste ano ainda contará com a presença de pré-candidatos à Presidência da República em sabatinas promovidas durante o evento. Entre os nomes confirmados estão Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). O presidente Lula não respondeu ao convite para participar da sabatina.
A repercussão das vaias rapidamente tomou as redes sociais e reacendeu o debate político sobre a relação entre o governo federal e gestores municipais, especialmente em um cenário de pré-campanha eleitoral e polarização política no país.
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