Polícia apura morte da soldado Gisele Alves Santana como suspeita; família questiona versão de suicídio e aponta relacionamento abusivo

Lívia Gennari Publicado em 03/03/2026, às 12h38
O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, solicitou afastamento das funções na corporação após a morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O corpo da mulher foi encontrado no apartamento do casal, localizado no Brás, Centro da capital, com um disparo na cabeça ocorrido em 18 de fevereiro. Inicialmente registrado como suicídio, o caso agora é tratado pela Polícia Civil como morte suspeita.
Em nota divulgada nesta terça-feira (3), a Polícia Militar confirmou o afastamento do oficial: “O tenente-coronel encontra-se afastado de suas funções, a pedido”.
De acordo com o depoimento inicial de Geraldo à delegacia, a discussão entre o casal teria ocorrido após ele comunicar a intenção de se separar. O coronel relatou que, após tomar banho, ouviu o disparo e encontrou a esposa caída na sala, segurando uma arma dele. Ele afirma ter acionado imediatamente as autoridades.
A família de Gisele, entretanto, contesta a versão de suicídio. Parentes relataram à polícia que o relacionamento do casal era marcado por controle e abuso psicológico, incluindo restrições ao uso de perfumes, maquiagem e até à prática de exercícios físicos sem a companhia do marido.
A perícia realizada pela Polícia Técnico-Científica trouxe novos elementos. O uso de luminol apontou a presença de sangue ainda não identificado no box do banheiro, local onde Geraldo disse ter tomado banho antes do disparo.
O laudo necroscópico indicou que o tiro foi disparado com o cano da arma encostado na lateral direita da cabeça da vítima. Exames residuográficos, que detectam resquícios de pólvora, não identificaram resíduos nem nas mãos da soldado, nem nas do tenente-coronel. A polícia segue realizando exames complementares para determinar quem disparou a arma.
O 8º Distrito Policial do Brás investiga todas as circunstâncias da morte e avalia a necessidade de exumação do corpo para esclarecer dúvidas sobre o caso. Até o momento, Geraldo não é formalmente considerado investigado.
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