Diário de São Paulo
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Responsável por articular comunicação do PCC, Xexênia é condenada a mais de 10 anos de prisão

Investigação aponta que Carla Luy mantinha o contato entre líderes da facção presos e soltos, usando celulares com mensagens criptografadas

Carla usava apelidos e códigos para dificultar a identificação dos membros do PCC pela polícia - Imagem: Reprodução
Carla usava apelidos e códigos para dificultar a identificação dos membros do PCC pela polícia - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 14/06/2025, às 17h49 - Atualizado às 21h33


A Justiça de São Paulo condenou Carla Luy Riciotti Lima, de 36 anos, a dez anos e três meses de prisão pelos crimes de associação à organização criminosa e lavagem de dinheiro. Apontada como peça-chave na estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC), Carla, conhecida pelos apelidos “Xexênia”, “Ferrari” e “Indonésia”, era responsável por montar e gerenciar o sistema de comunicação da facção.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a atuação de Carla era estratégica: ela era responsável por comprar celulares e chips que eram repassados aos integrantes do alto escalão do PCC. Os dispositivos já vinham configurados com contatos e instruções específicas, para evitar interceptações e proteger informações da organização criminosa.

A investigação mostrou ainda que Carla elaborava as chamadas “bate-bolas”, mensagens manuscritas e codificadas usadas para garantir o contato entre os líderes presos e aqueles em liberdade. De tempos em tempos, ela também atualizava os apelidos dos integrantes, como forma de despistar as forças de segurança. Para o MP, essa função evidencia o grau de organização e sofisticação da facção.

Em uma das comunicações interceptadas, líderes detidos chegaram a mencionar o pagamento de R$ 1,5 mil a Carla, mas os investigadores não conseguiram confirmar se o valor era referente a cada "bate-bola" ou se tratava-se de um salário mensal pago mensalmente à ela.

A condenação está ligada à Operação Sharks, realizada em 2020. Carla foi acusada junto com outros 19 suspeitos de integrar um esquema que movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em transações financeiras entre janeiro de 2018 e junho de 2019.

Na época da operação, a polícia apreendeu em sua residência três notebooks, treze cartões bancários, vinte e três chips de celular, documentos diversos e três aparelhos móveis, reforçando os indícios de sua atuação dentro do esquema.

O caso de “Xexênia” evidencia como o PCC mantém uma estrutura sofisticada de comunicação para garantir o funcionamento da facção, mesmo com seus principais líderes atrás das grades.


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