Diário de São Paulo
Siga-nos

Homem que participou da execução de dois chefes do PCC é preso em São Paulo

‘Gegê do Mangue’ e ‘Paca’ foram assassinados em 2018 após a descoberta de desvios dentro da facção para financiar estilo de vida luxuoso no Ceará

Prisão faz parte de uma operação para capturar os envolvidos na execução dos líderes da facção - Imagem: Divulgação | Polícia Civil de São Paulo
Prisão faz parte de uma operação para capturar os envolvidos na execução dos líderes da facção - Imagem: Divulgação | Polícia Civil de São Paulo

Lívia Gennari Publicado em 10/06/2025, às 19h00


A Polícia Civil de São Paulo prendeu na última segunda-feira (9) Renato Oliveira Mota, suspeito de envolvimento direto nas mortes de dois dos mais influentes líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC): Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”, e Fabiano Alves de Souza, conhecido como “Paca”. A captura ocorreu na Zona Leste da capital paulista, durante uma operação conduzida por agentes do 10º Distrito Policial da Penha.

Renato foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara da Comarca de Aquiraz, no Ceará, estado onde o duplo homicídio ocorreu em 2018. Após a captura, ele foi levado à Delegacia de Polícia de Trânsito e deve passar por audiência de custódia.

A investigação aponta que Gegê e Paca foram assassinados no dia 15 de fevereiro daquele ano, em uma emboscada armada dentro de uma reserva indígena no município de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo a Polícia Civil do Ceará, os dois foram mortos por integrantes da própria facção após serem acusados de desviar grandes quantias de dinheiro da organização criminosa para uso pessoal. A motivação do crime teria sido um esquema de enriquecimento ilícito.

De acordo com as investigações, Gegê e Paca utilizavam recursos da facção para bancar uma vida de ostentação no litoral cearense. Eles possuíam imóveis de luxo e veículos de alto padrão e eram frequentemente vistos em áreas nobres, como praias e parques da região. O desvio de dinheiro da facção para financiar uma vida de ostentação não foi bem visto pela liderança da organização criminosa, que então ordenou a execução.

A dinâmica do crime indica que a execução foi premeditada. Gegê e Paca foram atraídos para uma emboscada com a falsa promessa de que seriam levados de helicóptero para fora do Ceará, sob a justificativa de que corriam risco de morte. No entanto, o destino final foi uma área indígena em Aquiraz, onde ambos foram executados a tiros.

Um dos principais indícios de que o crime partiu de dentro da própria facção foi a interceptação de um bilhete em um presídio de São Paulo, que detalhava o desvio de dinheiro e mencionava a decisão interna de eliminar Gegê e Paca como forma de punição.

Segundo a polícia, ao menos dez pessoas participaram diretamente da execução, incluindo Tiago Lourenço de Sá de Lima, conhecido como "Tiririca", e Erick Machado Santos, o "Neguinho Rick", que segue foragido. A facção teria planejado detalhadamente a emboscada, com apoio logístico e uso de helicóptero.

A ordem para a execução partiu, segundo o Ministério Público, de Gilberto Aparecido dos Santos, o “Fuminho”, um dos principais aliados de Marcola, líder máximo da facção. Parte dos acusados já foi pronunciada para júri popular, enquanto as autoridades continuam em busca dos demais envolvidos, inclusive nomes que atuaram na logística e execução direta do crime. 

A prisão de Renato Oliveira Mota representa um avanço importante nas investigações, que desde 2018 buscam responsabilizar todos os envolvidos no crime que abalou a estrutura interna da maior facção criminosa do país.

As investigações seguem em curso e a Polícia Civil não descarta novas prisões nas próximas semanas.


últimas notícias