Polícia trata conteúdo do celular como peça-chave da investigação

Gabriela Nogueira Publicado em 31/12/2025, às 09h45
Mensagens trocadas horas antes de um duplo homicídio ocorrido na zona sul de São Paulo passaram a ocupar papel central nas investigações da Polícia Civil. O conteúdo, extraído de conversas no WhatsApp, indica que a jovem de 21 anos suspeita de matar o namorado e uma amiga dele teria feito ameaças diretas e explícitas pouco antes do crime, o que reforça a linha de apuração sobre premeditação e motivação passional.
De acordo com os investigadores, as mensagens revelam um tom de cobrança, controle e agressividade. Em trechos analisados, a suspeita demonstra irritação com o comportamento do namorado e reage de forma violenta ao saber que ele participava de um encontro com amigos. Frases com ameaças diretas foram enviadas ainda durante a madrugada e, para a polícia, indicam que a decisão de atacar já havia sido tomada.
As conversas mostram também momentos de confronto verbal entre o casal. Após uma resposta em áudio enviada pelo rapaz, a jovem reage acusando-o de tratar tudo como brincadeira. Em seguida, envia novas mensagens, que teriam sido apagadas pouco depois. Mesmo assim, parte do material foi recuperada e anexada ao inquérito.
O crime aconteceu no último domingo (28), quando o jovem de 21 anos e uma amiga, de 19, foram perseguidos e mortos. Segundo a apuração policial, a ação ocorreu poucas horas depois do envio das ameaças, o que fortaleceu a tese de que o ataque não foi impulsivo.
Durante o depoimento, a defesa apresentou laudos médicos que apontam que a suspeita faz acompanhamento psiquiátrico e possui histórico de depressão desde a adolescência. Os documentos indicam uso de medicação controlada e registro recente de ideação suicida, além de afastamento médico concedido semanas antes do crime. Todo o material foi incluído no processo e será avaliado no curso da investigação.
A Polícia Civil informou que os laudos não afastam, neste momento, a responsabilidade criminal, mas devem ser considerados em análises futuras, como a avaliação da capacidade de entendimento e autodeterminação da investigada à época dos fatos. O inquérito segue em andamento, com coleta de novos depoimentos e perícias complementares.
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