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Banco Pleno

Quem é Augusto Lima e qual sua relação com o dono do Banco Master

Decisão do Banco Central reacende atenção sobre Augusto Ferreira Lima, preso em operação da PF e ex-sócio de Daniel Vorcaro

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

por Marina Milani

Publicado em 18/02/2026, às 15h21


A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central do Brasil, trouxe novamente ao centro das atenções o nome do controlador da instituição, Augusto Ferreira Lima, que assumiu o comando do banco em julho de 2025 e já foi sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Lima foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado, e é citado em investigações relacionadas a operações de crédito e estruturação de carteiras financeiras. Além do histórico no setor bancário, ele também é apontado como próximo de lideranças políticas da Bahia, entre elas o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner.

O banqueiro ganhou projeção nacional após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo, no processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos. No pacote, assumiu também o controle do Credcesta, cartão de benefícios voltado a servidores públicos, posteriormente expandido para outros estados em parceria com o Banco Master. O produto evoluiu para operações de crédito consignado e passou a integrar carteiras negociadas com fundos e instituições financeiras.

Documentos de uma comissão parlamentar de inquérito que apura fraudes em benefícios previdenciários apontam que parte relevante desses créditos não teria sido corretamente reportada ou não contaria com estrutura suficiente para operar dentro das exigências regulatórias.

Nos bastidores do setor, Lima também é citado como o responsável por procurar o ex-ministro do Supremo Ricardo Lewandowski para atuar como consultor jurídico do Banco Master, em articulação que teria contado com interlocução política. Ele também participou de reunião de Vorcaro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de 2024.

Liquidação e impacto

Segundo o Banco Central, o conglomerado do Banco Pleno e de sua distribuidora de valores tinha participação pequena no sistema financeiro — cerca de 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do setor. Mesmo assim, a autarquia apontou deterioração da situação econômico-financeira, problemas de liquidez e descumprimento de normas regulatórias.

Com a liquidação extrajudicial, a instituição tem as operações encerradas e passa a ser administrada por um liquidante nomeado pela autoridade monetária. Caberá a ele levantar ativos, vender bens e pagar credores conforme a ordem legal. Os bens de controladores e administradores ficam indisponíveis, e o BC informou que seguirá apurando responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas e envio de informações a outros órgãos.


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