Diário de São Paulo
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Prefeito de São Bernardo é afastado e dois são presos em operação da PF contra corrupção

Investigação revelou movimentações milionárias e pagamento de propina em contratos de obras; operador financeiro do esquema continua foragido

Marcelo Lima cumpre medidas cautelares após investigação da PF - Imagem: Reprodução
Marcelo Lima cumpre medidas cautelares após investigação da PF - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 14/08/2025, às 11h54


O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos), foi afastado do cargo por um ano após decisão judicial em decorrência de uma operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta quinta-feira (14). A investigação apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na administração municipal da cidade do ABC paulista.

Durante a Operação Estafeta, foram presos empresário Edmilson Carvalho, sócio da Terraplanagem Alzira Franco Ltda., que mantém contrato com a prefeitura, e o servidor Antônio Rene da Silva, diretor de departamento na Secretaria de Coordenação Governamental. Na residência de Carvalho, a PF apreendeu R$ 400 mil em espécie.

A Justiça negou o pedido de prisão de Marcelo Lima, mas determinou que ele use tornozeleira eletrônica, cumpra recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, não tenha contato com outros investigados e não deixe a cidade sem autorização judicial. O presidente da Câmara Municipal e primo do prefeito, vereador Danilo Lima Ramos (Podemos), também foi afastado do cargo.

Com a saída de Lima, a vice-prefeita Jessica Cormick (Avante) assume o comando da cidade.

Início das investigações

De acordo com a PF, a investigação começou em julho deste ano, quando foram encontrados quase R$ 13 milhões e US$ 157 mil (cerca de R$ 14 milhões) com Paulo Iran, auxiliar legislativo da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e apontado como operador financeiro do prefeito. Ele está foragido e é alvo de mandado de prisão.

Investigadores afirmam haver indícios de pagamento de propina e favorecimento em contratos nas áreas de obras, saúde e manutenção. Os gentes também apreenderam cerca de R$ 1,9 milhão em espécie com outros investigados, valor que ainda está sendo contabilizado.

Ao todo, a operação cumpre 20 mandados de busca e apreensão e atuando com medidas que envolvem o afastamento de funções públicas, quebras de sigilos bancário e fiscal e monitoramento eletrônico. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e abrangem endereços nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá e Diadema.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e corrupção ativa.


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