Brasileiras eram aliciadas pelas redes sociais e levadas para a Bélgica onde eram forçadas a trabalhar sob condições abusivas

Lívia Gennari Publicado em 15/07/2025, às 13h00 - Atualizado às 14h46
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (15), uma operação para aprofundar as investigações sobre um esquema de tráfico internacional de mulheres com fins de exploração sexual na Europa. A ação cumpre mandados de busca, apreensão e prisão no Distrito Federal e em São Paulo, além de medidas cautelares contra os investigados.
Ao todo, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva. A Justiça também determinou o sequestro e bloqueio de bens que somam até R$ 6,6 milhões, além da apreensão de quatro passaportes. As mulheres que tiveram os documentos retidos estão impedidas de deixar o país.

Investigação
A apuração começou em maio de 2024, com base em informações reunidas durante as investigações e no relato de uma vítima que, ao retornar ao Brasil, detalhou à Polícia Federal a atuação da quadrilha.
Segundo a PF, o grupo recrutava brasileiras, principalmente mulheres com perfil de modelos, por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, oferecendo promessas de altos ganhos, passagens e hospedagem no exterior.
Contudo, ao chegarem à Europa, as vítimas se deparavam com uma realidade completamente diferente da prometida. Em vez das oportunidades anunciadas, eram forçadas a viver sob controle rígido dos aliciadores, em condições degradantes de trabalho. Submetidas a longas jornadas diárias, sem descanso, as mulheres sofriam ameaças frequentes, tinham seus documentos retidos e eram impedidas de deixar o local ou buscar ajuda.
Além da exploração financeira, que incluía cobranças abusivas por moradia e alimentação, muitas também enfrentavam agressões físicas e violência psicológica, sendo pressionadas constantemente a obedecer aos comandos do grupo criminoso sob risco de represálias.
Durante as investigações, os agentes também identificaram uma mulher, residente em Brasília, como a principal responsável por coordenar o esquema. Segundo a Polícia Federal, ela contava com o apoio da irmã e de uma prima, que atuavam como telefonistas, ficando encarregadas de marcar os programas das brasileiras, que foram levadas à província de Namur, na Bélgica.
Os suspeitos podem responder pelos crimes de tráfico de pessoas e associação criminosa. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e responsabilizar todos os integrantes da organização.
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