Segunda fase da Operação Oasis 14 identificou empresas de fachada, funcionários públicos e ‘laranjas’ envolvidos em golpes contra o sistema financeiro

Lívia Gennari Publicado em 21/08/2025, às 17h03
A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Caixa Econômica Federal (CEF), deflagrou nesta quinta-feira (21) a 2ª fase da Operação Oasis 14, destinada a desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes contra o sistema financeiro nacional e programas sociais. Ao todo, estão sendo cumpridos 26 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão em endereços da capital paulista e por oito cidades do Rio de Janeiro.
A investigação, iniciada em maio do ano passado, revelou um esquema envolvendo mais de 330 empresas de fachada, seis funcionários da Caixa e quatro bancários de instituições privadas. Segundo a PF, pessoas de baixa renda eram usadas como “laranjas”, enquanto sócios “fantasmas” eram incluídos para dar aparência de legalidade às empresas.
Desvendando a fraude
De acordo com a PF, o grupo simulava movimentações financeiras, utilizava imóveis reais como fachada, abria contas e concedia empréstimos fraudulentos com a ajuda de funcionários bancários. A Caixa informou que, com o cruzamento de dados, foi possível identificar cerca de 200 operações de crédito irregulares, resultando em um prejuízo de R$ 33 milhões apenas para a instituição. Estima-se que o prejuízo total para o sistema financeiro nacional ultrapasse R$ 110 milhões.
Os empréstimos eram pagos parcialmente, geralmente durante um ano ou apenas 30% do valor, permitindo que os fraudadores burlassem os sistemas de controle dos bancos. Depois, os criminosos declaravam falência, impedindo a recuperação do crédito, já que os sócios eram pessoas de baixa renda e sem patrimônio.
Além do crime de organização criminosa, os investigados responderão por estelionato qualificado, crimes contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro.
O que diz a Caixa
Em nota, o banco afirmou que está colaborando com as investigações para combater tais crimes.
"A CAIXA esclarece que, quando identificados indícios de ilícitos, atua conjuntamente com os órgãos de segurança pública nas investigações e operações que combatem tais ocorrências. As informações relativas a tais casos são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes para análise e investigação.
O banco aperfeiçoa, continuamente, os critérios de segurança de acesso aos seus aplicativos e movimentações financeiras, acompanhando as melhores práticas de mercado e as evoluções necessárias ao observar a maneira de operar de fraudadores e golpistas, e monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos."
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