Deputado federal é investigado em esquema de desvio de emendas parlamentares, com indícios de superfaturamento de obras

Letícia Sales Publicado em 13/01/2026, às 12h31
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (13) a nona fase da Operação Overclean, que investiga um amplo esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, além de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A ação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal.
Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O principal alvo desta etapa é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), apontado como um dos investigados no esquema.
Por determinação do STF, também foi autorizado o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas sob investigação. Segundo a Polícia Federal, a medida tem como objetivo interromper a circulação de valores de origem ilícita e garantir recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
De acordo com as investigações, os envolvidos podem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
A Operação Overclean teve início em dezembro de 2024 e apura o direcionamento irregular de emendas parlamentares e convênios para empresas e pessoas ligadas a administrações municipais da Bahia. Nas fases iniciais, a PF apontou indícios de superfaturamento de obras e movimentações financeiras que podem chegar a R$ 1,4 bilhão.
As apurações também identificaram suspeitas de vazamento de informações sigilosas por agentes públicos e o envolvimento de servidores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), especialmente na unidade da Bahia. Por decisão judicial, servidores chegaram a ser afastados de suas funções, e o caso contou com apoio da agência americana Homeland Security Investigations.
Nas fases mais recentes, a operação resultou no afastamento de prefeitos baianos, no bloqueio de valores superiores a R$ 85 milhões e no cumprimento de mandados em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e o Distrito Federal. As investigações seguem em andamento sob supervisão do STF.
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