Diário de São Paulo
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INVESTIGAÇÃO

PF apura disseminação de desinformação contra Banco Central

Polícia Federal investiga alegações de que influenciadores digitais foram contratados para atacar a credibilidade do Banco Central

Sede do Banco Central em Brasília - Imagem: Reprodução / Jornal Nacional
Sede do Banco Central em Brasília - Imagem: Reprodução / Jornal Nacional

William Oliveira Publicado em 08/01/2026, às 11h42


A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação para apurar alegações de que influenciadores digitais teriam sido contratados para espalhar informações fraudulentas e realizar ataques coordenados contra o Banco Central (BC). O suposto objetivo seria deslegitimar a autoridade monetária, especialmente após a liquidação do Banco Master, ocorrida no final de 2025. O banco, pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, nega qualquer relação com as alegações apresentadas.

O caso ganhou notoriedade após denúncia de Rony Gabriel (PL-RS), vereador de Erechim e influenciador digital com 1,7 milhão de seguidores. Segundo Gabriel, ele foi abordado por André Salvador, sócio da empresa de marketing UNLTD Brasil, com sede em Brasília, para participar do chamado “Projeto DV”, sigla que supostamente faz referência às iniciais de Daniel Vorcaro. Para ter acesso aos detalhes da proposta, o vereador teria que assinar um acordo de confidencialidade prevendo multa de R$ 800 mil em caso de vazamento. Gabriel afirmou que a oferta consistia na gravação de conteúdos que defendessem o Banco Master e atacassem diretores do BC.

“Fui procurado para dizer que o Banco Master era uma vítima do Banco Central. Só que a verdade não é essa, não vou fazer o vídeo com base numa mentira”, declarou.

A investigação indica que a estratégia de comunicação visava ultrapassar os limites dos perfis econômicos tradicionais. Páginas de lifestyle e variedades, com mais de 36 milhões de seguidores somados, passaram a veicular críticas aos diretores da autoridade monetária, questionando a agilidade da liquidação do Banco Master e insinuando possível perseguição política.

Liberdade de expressão?

No momento, a PF e o Banco Central discutem atualmente a tipificação penal das ações. O desafio jurídico reside na tênue linha entre liberdade de expressão e prática criminosa, já que muitas postagens são apresentadas como conteúdos opinativos, o que complica o enquadramento legal. Além disso, a Febraban identificou um aumento “atípico” de menções negativas à entidade e ao sistema financeiro no final de dezembro de 2025, reforçando a hipótese de um ataque orquestrado.

Até o momento, o Banco Master nega qualquer envolvimento e afirma não ter informações sobre a contratação de influenciadores. A UNLTD Brasil não respondeu aos pedidos de esclarecimento da imprensa. Já a Febraban avalia se as postagens configuram um ataque coordenado, observando queda recente no volume das publicações. A Polícia Federal mantém as investigações para identificar a origem dos recursos e o alcance da rede de desinformação.


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