Investigação da Polícia Federal apura contrabando de pedras preciosas, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal com movimentações milionárias.

Redação Publicado em 12/05/2026, às 08h55
Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de contrabando de diamantes e lavagem de dinheiro ligado à família do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium, com foco no empresário Fabrício de Souza Almeida, acusado de movimentar milhões por meio de empresas de fachada.
As apurações começaram após uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal em 2020, que levantou suspeitas sobre Fabrício, cujas movimentações financeiras não condizem com a estrutura da empresa FB Serviços, que movimentou mais de R$ 6 milhões em poucos meses.
Fabrício e sua tia foram tornados réus em uma ação que investiga o financiamento de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, com o grupo acusado de movimentar R$ 64 milhões entre 2017 e 2021, enquanto as autoridades continuam a investigar as conexões e atividades ilícitas relacionadas.
Uma investigação da Polícia Federal revelou um suposto esquema milionário de contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal envolvendo pessoas ligadas à família do ex-governador de Roraima Antonio Denarium.
O principal alvo das apurações é o empresário Fabrício de Souza Almeida, apontado pelos investigadores como articulador financeiro de uma rede suspeita de movimentar milhões de reais por meio de empresas de fachada e operações consideradas incompatíveis com a atividade declarada.
As investigações tiveram início após uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-174, em 2020. Segundo os investigadores, Fabrício e outro homem apresentaram informações contraditórias sobre o trajeto da viagem entre Roraima e Rondônia, o que levantou suspeitas.
Durante a apuração, a PF identificou registros que indicavam deslocamentos por Manaus e Porto Velho, além de conexões do empresário com antigos investigados em operações relacionadas ao comércio ilegal de diamantes e garimpo clandestino.
Os investigadores também recuperaram antecedentes ligados à Operação Roosevelt, realizada em Rondônia em 2010, quando Fabrício foi preso em flagrante com diamantes e dinheiro em espécie.
Outro ponto que chamou atenção da PF foi a ligação de investigados com a Fazenda J. Bastos, propriedade declarada por Antonio Denarium à Justiça Eleitoral durante a campanha de 2018. O imóvel fica em Iracema, município citado inicialmente pelos ocupantes do veículo abordado pela PRF.
A investigação ainda menciona uma publicação antiga em rede social na qual o ex-governador teria chamado um sobrinho de “the diamond king”, expressão em inglês que significa “rei do diamante”.
No centro das suspeitas está a empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício. Segundo relatórios policiais, a companhia não possuía funcionários, veículos ou estrutura operacional compatível com a intensa movimentação financeira identificada.
Mesmo sem estrutura aparente, a empresa teria movimentado mais de R$ 6 milhões em poucos meses, segundo documentos analisados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As diligências também identificaram saques frequentes em espécie, transferências sucessivas entre contas ligadas ao grupo e indícios de ocultação patrimonial.
Além do caso envolvendo diamantes, Fabrício e a tia dele, Vanda Garcia de Almeida, viraram réus na Justiça Federal em uma ação que investiga o financiamento de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
De acordo com o Ministério Público Federal, o grupo teria movimentado cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021. Os acusados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União.
Durante operações anteriores, agentes apreenderam equipamentos de garimpo, registros de voos clandestinos, pagamentos a pilotos e anotações relacionadas ao transporte e comercialização de minério.
Até o momento, os citados na investigação não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.
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