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Investigação

PF aponta ameaças de irmã de “Sicário” à família Vorcaro

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Joana Mourão afirmou possuir documentos capazes de comprometer integrantes da família do ex-controlador do Banco Master. Conversas também citam cobranças financeiras e articulações envolvendo investigados da operação.

Relatórios da Polícia Federal apontam que Joana Mourão, irmã de “Sicário”, enviou mensagens com ameaças à família Vorcaro durante negociações - Imagem: Reprodução
Relatórios da Polícia Federal apontam que Joana Mourão, irmã de “Sicário”, enviou mensagens com ameaças à família Vorcaro durante negociações - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 16/06/2026, às 17h26


Novos documentos da Operação Compliance Zero revelam que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão de Moraes Mourão, enviou mensagens ameaçadoras a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, indicando que possuía informações comprometedoras sobre a família Vorcaro.

As mensagens, que foram divulgadas após a retirada do sigilo dos relatórios da investigação, mostram a insatisfação de Joana com a falta de apoio financeiro de Henrique após a prisão de seu irmão, e sugerem tratativas para evitar a divulgação de material que poderia prejudicar a família Vorcaro.

A Polícia Federal está investigando a atuação de Manoel Mendes Rodrigues, que atuou como intermediário nas negociações para conter as ameaças, enquanto a Operação Compliance Zero continua a apurar fraudes financeiras e lavagem de dinheiro, já resultando em prisões e bloqueios de ativos.

Novos documentos incorporados à investigação da Operação Compliance Zero revelam que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, enviou mensagens consideradas ameaçadoras a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, as conversas indicam que ela afirmava possuir documentos e informações capazes de comprometer integrantes da família Vorcaro.

O material foi tornado público após a retirada do sigilo de relatórios encaminhados ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator dos processos relacionados à Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro, obtenção ilegal de informações sigilosas, intimidação de adversários e atuação de uma suposta organização criminosa ligada ao caso Banco Master.

De acordo com a PF, uma das conversas ocorreu entre Joana Mourão e Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo”, apontado pelos investigadores como operador do jogo do bicho e investigado na mais recente fase da operação. Foi essa etapa da investigação que levou à prisão de Henrique Vorcaro.

Nas mensagens interceptadas, Joana demonstrava insatisfação com a ausência de apoio financeiro por parte de Henrique Vorcaro após a prisão e a morte de seu irmão. Em um dos diálogos analisados pela PF, ela escreveu que Henrique “não se manifesta com nada” e afirmou estar “muito perto do abismo”. Em seguida, declarou que poderia “levar ele junto”, acrescentando que teria condições de comprometer investigações e envolver integrantes da família em novos problemas judiciais. Em outra mensagem, afirmou possuir “material para acabar com a família inteira”.

Os investigadores afirmam que, após receber as mensagens, Manoel Mendes Rodrigues passou a atuar como intermediário para evitar a divulgação do material citado por Joana. Relatórios da PF indicam que ele buscou interlocutores próximos da família Vorcaro e participou de negociações relacionadas a possíveis repasses financeiros destinados à família Mourão. A investigação também aponta a existência de contratos considerados suspeitos, que teriam sido utilizados para justificar pagamentos e transferências de recursos.

A Polícia Federal sustenta que os diálogos permitem inferir a existência de tratativas para conter o avanço das ameaças e minimizar possíveis danos à família Vorcaro. Os investigadores também afirmam que Henrique Vorcaro teria sido informado sobre as negociações conduzidas por intermediários.

Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, foi preso em março de 2026 durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, ele integrava um núcleo responsável por monitoramento de alvos, obtenção ilegal de informações e ações de intimidação contra pessoas consideradas de interesse do grupo investigado. Dias após a prisão, Mourão morreu enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. Os laudos oficiais apontaram suicídio como causa da morte.

A Operação Compliance Zero é considerada uma das maiores investigações financeiras em andamento no país. Desde o fim de 2025, a operação já cumpriu diversas fases, resultando em prisões, bloqueio de bilhões de reais em ativos e apurações sobre possíveis esquemas de fraude bancária, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa ligados ao antigo controle do Banco Master.

As investigações seguem em andamento e os fatos citados nos relatórios ainda são objeto de apuração pelas autoridades competentes.


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