Estudo do Instituto Locomotiva aponta impacto da desinformação na sociedade; para 26%, maior risco é a eleição de maus políticos

por Marina Milani
Publicado em 02/04/2024, às 08h35
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e concedida pela Agência Brasil revelou que quase 90% da população brasileira admitiu já ter acreditado em conteúdos falsos, as chamadas fake news. O levantamento, realizado entre os dias 15 e 20 de fevereiro, ouviu 1.032 pessoas com 18 anos ou mais.
Segundo os dados, oito em cada dez brasileiros já deram credibilidade a notícias falsas, mesmo que 62% afirmem confiar em sua capacidade de diferenciar informações falsas das verdadeiras. Entre os temas mais comuns das fake news que foram acreditadas estão venda de produtos (64%), propostas em campanhas eleitorais (63%), políticas públicas como vacinação (62%) e escândalos envolvendo políticos (62%). Além disso, 57% admitiram ter acreditado em conteúdos mentirosos sobre economia e 51% sobre segurança pública e sistema penitenciário.
O estudo também apontou que, na percepção de 65% dos entrevistados, as fake news são distribuídas com o auxílio de robôs e inteligência artificial, e oito em cada dez reconhecem a existência de grupos e pessoas pagas para produzir e disseminar notícias falsas.
Para a maioria (26%), o maior risco da desinformação é a eleição de maus políticos, seguido por 22% que acreditam que o perigo maior é atingir a reputação de alguém e 16% que consideram um problema a possibilidade de causar medo na população em relação à própria segurança. Além disso, 12% veem como maior risco prejudicar os cuidados com a saúde.
Em relação aos sentimentos gerados ao serem enganados por uma fake news, 35% das pessoas relataram sentir ingenuidade, 31% ficam com raiva e 22% sentem vergonha. Um quarto da população (24%) afirmou já ter sido acusado de espalhar informações falsas por pessoas que têm uma visão de mundo diferente.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, defendeu a implementação de medidas educativas para combater a disseminação de conteúdos mentirosos. Ele destacou a importância de promover a educação midiática e verificar rigorosamente as fontes de informação para garantir que a população receba informações precisas e confiáveis.
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