Especialistas alertam sobre os perigos das novas substâncias psicoativas e a importância de investigações rigorosas para proteção da saúde pública

Gabriela Nogueira Publicado em 16/09/2025, às 17h04
Recentemente, um laboratório da Polícia Científica de Santa Catarina revelou a presença de duas novas substâncias psicoativas que não estavam registradas até o momento no Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), do Ministério da Justiça. As substâncias em questão são a quatro-hidroxi N,N-dietiltriptamina e a quatro-acetoxi N,N-dietiltriptamina, encontradas disfarçadas em produtos que aparentam ser goma de mascar.
A inclusão dessas substâncias no SAR torna mais difícil sua comercialização, especialmente pela internet e correios, segundo especialistas na área. Dartiu Xavier da Silveira, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), enfatizou a relevância das investigações conduzidas pela polícia para o reconhecimento dessas drogas, comparando-as aos cogumelos alucinógenos e mencionando as propriedades antidepressivas que foram descobertas nos últimos anos.
A perita-geral Andressa Boer Fronza esclareceu que as embalagens desses produtos apresentavam um apelo visual que sugeria efeitos "mágicos". A descoberta dessas substâncias levou à notificação imediata à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao SAR, visando garantir que qualquer indivíduo encontrado em posse delas seja considerado traficante de drogas.
"As embalagens destacavam características que insinuavam efeitos mágicos. Por isso, prontamente notificamos a Anvisa e o sistema SAR do Ministério da Justiça, para assegurar que quem portasse essas substâncias pudesse ser classificado como traficante de drogas", afirmou a perita.
Além das duas substâncias mencionadas, uma terceira foi recentemente identificada: o N-pirrolidino protonitazeno, um opioide que é 25 vezes mais potente que o fentanil e pode provocar parada cardiorrespiratória. Essa droga foi detectada durante a análise de um paciente que relatou ter consumido álcool junto com um comprimido.
Este caso marca o primeiro registro de intoxicação por essa substância no Brasil. A confirmação da análise foi realizada pelo laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que alertou sobre os perigos associados à ingestão mesmo em pequenas quantidades.
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