Crime ocorrido no litoral paulista é tratado como retaliação do crime organizado

Gabriela Nogueira Publicado em 13/01/2026, às 13h02
A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (13) três homens apontados como integrantes do PCC suspeitos de envolvimento direto no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes. O crime aconteceu em setembro do ano passado, quando a vítima foi morta a tiros em Praia Grande, no litoral paulista.
As prisões ocorreram durante uma operação que cumpriu mandados em municípios da Grande São Paulo, no interior e no litoral. Os alvos foram localizados na capital, em Jundiaí e em Mongaguá. Segundo os investigadores, os suspeitos tinham funções distintas dentro da estrutura criminosa, que incluía planejamento, articulação do mando e apoio logístico à execução.
De acordo com a polícia, um dos presos é investigado por fornecer suporte operacional ao grupo, como a guarda de veículos e o uso de imóveis para apoio aos envolvidos no crime. Outro é apontado como responsável por articular o comando da ação, participando da organização e da coordenação da execução. O terceiro teria atuado na logística da fuga, no fornecimento de recursos e na ligação entre os executores.
Durante as abordagens, os policiais apreenderam celulares, documentos e uma arma de fogo. Parte dos investigados tentou fugir no momento da prisão, mas era monitorada pelas equipes de investigação.
As apurações indicam que o homicídio foi resultado de um planejamento detalhado, com divisão clara de tarefas e uso de veículos roubados, que depois foram abandonados ou incendiados para dificultar o trabalho policial. Impressões digitais, dados extraídos de aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras consideradas atípicas reforçaram os indícios contra o grupo.
Segundo o Ministério Público, o assassinato foi encomendado pelo alto escalão da facção criminosa como forma de vingança. Ruy Ferraz teve atuação destacada no combate ao PCC ao longo de sua carreira, incluindo a divulgação da estrutura interna da organização e o indiciamento de seus principais líderes nos anos 2000.
A denúncia apresentada pelo Gaeco aponta que a ordem para matar o ex-delegado circulava dentro da facção havia anos. Documentos apreendidos em investigações anteriores indicariam que o nome de Ruy Ferraz constava entre alvos considerados prioritários pelo grupo criminoso.
Ao todo, oito pessoas já foram denunciadas pelo Ministério Público por participação no crime, sob acusações que incluem organização criminosa armada, homicídio qualificado e porte ilegal de arma de uso restrito. A Polícia Civil afirma que novas diligências seguem em andamento para identificar outros envolvidos.
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