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Ministério Público de São Paulo abre apuração de escola particular por racismo

Investigação foi motivada por denúncias de uma mãe sobre um histórico de violência e omissão da escola em casos de bullying

MPSP analisa os fatos para entender a gravidade do preconceito no colégio e determinar as próximas ações a serem tomadas - Foto: Divulgação Colégio Santa Cruz
MPSP analisa os fatos para entender a gravidade do preconceito no colégio e determinar as próximas ações a serem tomadas - Foto: Divulgação Colégio Santa Cruz

Redação Publicado em 01/11/2025, às 19h12


O Ministério Público de São Paulo (MPSP) resolveu abrir um inquérito formal para analisar queixas de racismo e bullying que teriam ocorrido em um colégio particular, o Santa Cruz, que fica no bairro de Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. A instituição, conhecida por ser uma das mais tradicionais da capital paulista e ter mensalidades caras (acima de R$ 6 mil), agora está sob o olhar atento do Grupo Especial de Combate a Crimes de Ódio e Preconceito (Gecradi).

Série de agressões e símbolos de ódio

A investigação começou por causa da denúncia de uma mãe de aluna, que ficou indignada com a situação. Ela trouxe à tona não só um caso recente, mas um suposto histórico de violência dentro da escola.

Segundo o relato, o colégio seria omissio ou indiferente às reclamações feitas pelos estudantes e suas famílias, permitindo que o problema da intimidação e do preconceito se arrastasse.

“Todo mundo sabe que existe essa situação. E se houve esse episódio em janeiro, esses alunos, que são minoria, que são os que foram atacados, têm que passar o recreio enfiado numa salinha para não sofrer bullying, é porque ninguém está fazendo nada. Ninguém fez nada. Que trabalho pedagógico é esse?”, questionou a mãe.

A mãe ainda lembrou que, em janeiro, a escola chegou a suspender 34 estudantes por causa de casos de bullying no aplicativo WhatsApp. Depois disso, quatro desses jovens foram expulsos. Para ela, no entanto, essas atitudes não foram suficientes para resolver a questão de fundo.

Ataque com símbolo nazista

O estopim da denúncia mais recente foi um episódio grave ocorrido no começo de outubro. Um aluno entregou a um professor negro um trabalho com o desenho de uma cruz gamada, símbolo do nazismo. O assistente desse professor é judeu.

A reação do educador foi de profundo sofrimento. Imediatamente após o ocorrido, o professor se descontrolou emocionalmente, caiu no choro e teve de deixar a sala de aula. De acordo com a mãe que fez a queixa, ele não conseguiu voltar a dar aulas desde aquele dia.

A mulher optou por manter sua identidade em sigilo porque tem medo de que sua filha sofra perseguição ou represálias na escola por conta da denúncia.

A denunciante afirmou que os símbolos nazistas não apareceram apenas uma vez no colégio. Na semana anterior ao incidente com o professor, um grupo de estudantes teria pintado várias cruzes gamadas na sala do grêmio estudantil.

Essa sala, segundo ela, é um local frequentado em especial por alunos de grupos minoritários, como estudantes negros, homossexuais e judeus.

“É lá que eles se refugiam, ficam seguros durante o intervalo, porque se forem para o pátio com os outros, vão ser alvo de provocações e ofensas”, relatou a mãe, mostrando o quanto o medo é real para esses jovens.

O Ministério Público está analisando todos os fatos para entender a dimensão do problema de preconceito no colégio e decidir as próximas medidas.


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