Caso de Carmen de Oliveira Alves envolve três suspeitos; dois estão presos e um segue foragido

Letícia Sales Publicado em 27/04/2026, às 14h07
O Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça que os três acusados pela morte da estudante trans Carmen de Oliveira Alves, de 26 anos, sejam levados a júri popular. O crime ocorreu em 2025, em Ilha Solteira, no interior paulista, e o processo atualmente está na fase de alegações finais.
De acordo com a promotoria, Marcos Yuri Amorim, namorado da vítima, e Roberto Carlos Oliveira, policial militar ambiental da reserva, já estão presos sob acusação de homicídio e ocultação de cadáver. Um terceiro suspeito, Paulo Henrique Messa, é apontado como participante na ocultação do corpo e segue foragido.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os dois primeiros acusados mantinham um relacionamento e teriam agido juntos para assassinar Carmen de Oliveira Alves. A investigação aponta que o crime pode ter sido motivado pela recusa de Marcos Yuri em assumir publicamente a relação com a vítima.
A estudante foi vista pela última vez em 12 de junho de 2025, quando saiu de casa em uma bicicleta elétrica. Após o desaparecimento, buscas foram realizadas por familiares, amigos e pela polícia, até que o caso evoluiu com a identificação dos suspeitos.
Durante as apurações, surgiram indícios de que a vítima vinha sendo ameaçada. Mensagens enviadas por Carmen de Oliveira Alves a uma amiga indicavam preocupação com sua segurança. Em um dos relatos, ela afirmou que, caso algo acontecesse, o responsável seria o próprio companheiro.
As investigações também revelaram que a jovem mantinha um dossiê com supostas provas de crimes atribuídos ao namorado, o que teria sido utilizado como forma de pressão.
Os depoimentos dos envolvidos, no entanto, apresentam divergências. De acordo com familiares, os acusados dão versões conflitantes sobre a dinâmica do crime. “O Roberto fala que não participou da ocultação do corpo, que quem fez isso foi o Yuri, e o Yuri fala que foi o Roberto que sumiu com o corpo. Um está jogando para o outro”, afirmou o irmão da vítima. Ele também relatou outra versão apresentada: “Na versão do Yuri, ele deu uma pancada na cabeça [de Carmen], ele chamou o Roberto para ajudar, e o Roberto ‘terminou de matar ela’”.
Com o pedido de envio ao júri popular, caberá agora à Justiça decidir se os acusados irão a julgamento pelo crime, que é tratado como feminicídio.
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