Decisão do TRF-3 concede habeas corpus ao funkeiro; desembargadora apontou ausência de denúncia formal e excesso de prazo na Operação Narco Fluxo

Redação Publicado em 13/05/2026, às 18h48
A Justiça Federal determinou, nesta quarta-feira (13), a soltura do funkeiro MC Ryan SP, preso no âmbito da Operação Narco Fluxo, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas. A decisão é do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e foi assinada pela desembargadora Louise Filgueiras.
O cantor estava detido desde 15 de abril, quando foi preso durante uma festa no litoral paulista. Ele vinha cumprindo prisão preventiva na Penitenciária II de Mirandópolis, no interior de São Paulo, até a decisão que concedeu o habeas corpus.
Na análise do caso, a magistrada estendeu a MC Ryan os efeitos de uma decisão anterior concedida a outro investigado no mesmo processo. Para ela, não havia fundamentos suficientes para manter a prisão preventiva, sobretudo diante da ausência de denúncia formal oferecida pelo Ministério Público Federal até o momento.
O despacho também destaca que a Polícia Federal solicitou mais prazo para concluir diligências e perícias, o que, segundo o entendimento da corte, reforça o cenário de investigação ainda em andamento — e não de acusação consolidada. Além disso, a decisão aponta que não ficou demonstrado risco concreto de interferência do investigado na produção de provas, já que os principais materiais já haviam sido apreendidos.
Os desembargadores também consideraram que houve excesso de prazo na manutenção da prisão cautelar, entendendo que, mesmo em investigações complexas, os limites previstos no Código de Processo Penal devem ser respeitados.
Apesar da liberdade concedida, MC Ryan SP terá de cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas estão a obrigação de comparecer a todos os atos do processo, manter endereço atualizado, se apresentar periodicamente à Justiça e não deixar a cidade por mais de cinco dias sem autorização judicial. Ele também está proibido de sair do país e deverá entregar o passaporte.
Investigação da PF
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal em abril e investiga um suposto esquema bilionário de movimentação financeira irregular. Segundo as apurações, o grupo teria operado por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptoativos e remessas internacionais para ocultar a origem dos recursos.
No mesmo inquérito, o nome de MC Poze do Rodo também chegou a ser citado entre os investigados, além de empresários e influenciadores digitais como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. A PF afirma que o esquema teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão.
As investigações têm origem em operações anteriores que miram estruturas financeiras ligadas ao tráfico e a apostas ilegais, que se desdobraram em novas frentes de apuração ao longo dos últimos meses.
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