Advogada é investigada por injúria racial após ser flagrada fazendo gestos e sons de macaco contra funcionário de bar na Zona Sul do Rio

Lívia Gennari Publicado em 31/03/2026, às 18h00
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou que a advogada argentina Agostina Páez, investigada por injúria racial após um episódio em um bar de Ipanema, deixe o Brasil. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça, que condicionou a liberação ao pagamento de caução no valor de R$ 97 mil, quantia já depositada.
O habeas corpus foi concedido pelo desembargador Luciano Silva Barreto e suspende todas as medidas cautelares anteriormente impostas à acusada, incluindo a proibição de sair do país, o uso de tornozeleira eletrônica e a obrigatoriedade de comparecimento mensal à Justiça. Apesar da autorização para retornar à Argentina, a ré deverá manter atualizados nos autos seu endereço residencial, telefone e e-mail.
Na decisão, o magistrado considerou que a fase de coleta de provas e depoimentos já foi concluída, o que afasta a necessidade da presença física da acusada em território brasileiro. Ele também destacou a existência de acordos internacionais entre Brasil e Argentina que permitem eventual extradição ou transferência de cumprimento de pena, caso haja condenação.
Relembre o caso
O episódio que deu origem à investigação ocorreu após uma discussão em um bar na Zona Sul do Rio, motivada por um suposto erro na cobrança da conta. Segundo relato de um funcionário, ao ser solicitada a aguardar a verificação das imagens de segurança, a turista passou a proferir ofensas de cunho racista.
Imagens gravadas no local mostram a mulher reproduzindo gestos associados a macacos e emitindo sons semelhantes, além de utilizar a palavra “mono”, que em espanhol significa “macaco”. O funcionário registrou a situação em vídeo, o que ajudou na identificação da suspeita pelas autoridades.
Em depoimento, Agostina Páez afirmou que os gestos teriam sido uma brincadeira direcionada a amigase negou a intenção de ofender o trabalhador. A versão, no entanto, é confrontada pelas imagens anexadas ao processo.
A investigação segue em andamento, e o caso pode avançar para julgamento mesmo com a acusada fora do país.
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