O estado de saúde da vítima foi detalhado pelo pai dela

Mateus Omena Publicado em 17/10/2022, às 12h43
Uma grávida de 17 anos foi baleada durante uma ação policial na comunidade de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, na tarde de domingo (16). A vítima está em seu quarto mês de gestação.
De acordo com a família da adolescente, o disparo passou a poucos centímetros do bebê. A garota caminhava para a casa da sogra, na companhia do marido, quando foi ferida.
Em entrevista ao portal UOL, o pai da vítima contou que ela teve uma costela fraturada e, por causa dos danos provocados pelo tiro, perdeu parte do fígado. Apesar dos ferimentos, o quadro de saúde dela é estável.
O episódio está sendo investigado pela Polícia Civil, para tentar identificar de onde partiu o disparo. Os investigadores informaram que vão analisar as Imagens de câmeras de segurança.
"A Polícia Militar não pode parar na frente de uma favela e trocar tiro por trocar. Não estava tendo operação. Qual a vez que a polícia vai falar que errou? Nunca. Minha filha infelizmente só vai ser mais uma. O bebê está bem. Ela perdeu um pedaço do fígado e teve a costela fraturada. Acham que todo mundo que mora em favela são maus, lá dentro tem gente de bem", disse o pai da adolescente.
A família da vítima se manifestou após a Polícia Militar declarar que uma equipe do Batalhão de Ações com Cães estava em patrulhamento no local quando foi atacada por criminosos armados. Diante da situação, os militares revidaram a ofensiva dos suspeitos.
O marido da vítima, que estava ao lado dela no momento do tiroteio, detalhou o momento de pânico, ao ver a mulher ferida.
"Eu ouvi o tiro, a gente levou um susto e nisso ela sentou. Quando eu vi, ela já estava sangrando. Peguei ela no colo e levamos pra UPA [Unidade de Pronto Atendimento] de Manguinhos, no carro de um morador e depois ela veio aqui pro Miguel Couto. Na hora só pensei em tirar minha camisa pra fazer pressão no ferimento da barriga. Graças a Deus ela e o neném estão bem, isso que importa agora"
Na próxima quarta-feira (19), a família da adolescente realizarão uma festa de chá-revelação do bebê, apesar do incidente doloroso. Os parentes estão na expectativa da alta médica o quanto antes e acreditam que a celebração vai ajudar a jovem a superar o atentado.
"É uma situação muito delicada, sabe?. É o primeiro filho dela, estávamos todos aqui animados pro evento, ela estava todo feliz, tudo já tinha sido comprado e acontece isso. É muita violência na comunidade, ninguém aguenta mais. Graças a Deus ela está viva, o bebê também, mas ninguém suporta isso mais", disse uma tia da vítima.
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