Empresas associadas a investigado por lavagem de dinheiro do crime organizado atuaram em hospitais públicos de Goiás durante contratos milionários firmados na gestão do governador Ronaldo Caiado.

Redação Publicado em 29/05/2026, às 09h00
A gestão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, enfrenta uma polêmica após a revelação de que empresas ligadas a um investigado por conexões com o PCC receberam mais de R$ 200 milhões em contratos de saúde pública entre 2020 e 2025, o que pode impactar sua imagem política.
As investigações apontam que Thiago Telles Batista de Souza, conhecido como 'Tom Cruise', é o beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro, com empresas ligadas a ele movimentando quantias incompatíveis com suas atividades declaradas.
Caiado afirmou que órgãos federais deveriam ter alertado sobre as ligações criminosas, enquanto a Secretaria de Saúde de Goiás defendeu que a responsabilidade pela contratação de fornecedores é das organizações sociais, sem necessidade de autorização do Estado.
A gestão do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), entrou no centro de uma nova polêmica após vir à tona que empresas ligadas a um homem investigado por suposta conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC) receberam mais de R$ 200 milhões em contratos relacionados à saúde pública estadual.
Segundo reportagem publicada pelo portal Metrópoles, os valores foram destinados entre 2020 e 2025 por meio do Instituto de Medicina e Estudos (Imed), organização social responsável pela administração de hospitais em Goiás.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de São Paulo, o empresário Thiago Telles Batista de Souza, conhecido pelo apelido de “Tom Cruise”, seria o “beneficiário final” de um esquema de lavagem de dinheiro abastecido por recursos oriundos do tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes financeiros.
O empresário foi alvo da Operação Falso Mercúrio, que apura movimentações financeiras suspeitas e conexões com integrantes do PCC. A polícia aponta que empresas ligadas a ele movimentavam grandes quantidades de dinheiro em espécie, em operações consideradas incompatíveis com as atividades declaradas.
Os contratos envolvendo a estrutura de saúde em Goiás ocorreram por meio do Imed, organização social que recebeu cerca de R$ 1,4 bilhão do governo estadual entre 2019 e 2025 para administrar hospitais e unidades de saúde.
Segundo a reportagem, ao menos R$ 209 milhões desse montante acabaram destinados a empresas vinculadas ao grupo investigado.
A revelação gera desgaste político para Caiado, que construiu parte de sua imagem pública com discurso rígido contra facções criminosas e fortalecimento da segurança pública.
Em nota, o governador afirmou que órgãos federais de controle deveriam ter alertado o governo estadual sobre possíveis ligações criminosas envolvendo fornecedores das organizações sociais contratadas.
Já a Secretaria de Saúde de Goiás declarou que a contratação de fornecedores é responsabilidade exclusiva das organizações sociais, sem necessidade de autorização prévia do Estado.
A investigação também cita a advogada Maria Carolina Lazarini Dias, diretora jurídica do Imed, que participou de eventos públicos ao lado de Caiado. Registros apontam ainda que empresas relacionadas ao grupo investigado participaram de contratos ligados à gestão hospitalar em diferentes unidades do estado.
Especialistas ouvidos por investigadores alertam que a presença de empresas sob suspeita em contratos públicos representa risco grave à administração pública, especialmente em setores estratégicos como a saúde.
O caso amplia a pressão sobre o entorno político de Caiado em meio às articulações para as eleições presidenciais de 2026.
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