Policiais militares usaram bombas de efeito moral e balas de borracha para conter protestos contra as demolições; um morador ficou ferido

Lívia Gennari Publicado em 13/05/2025, às 19h04
Moradores da Favela do Moinho realizaram um novo protesto nesta terça-feira (13), contra as demolições das moradias na comunidade, localizada no centro de São Paulo. Coordenada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a ação contou com intensa presença da Polícia Militar e resultou em confrontos entre os moradores e agentes.
Por volta das 11h, equipes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep) escoltavam tratores e operários responsáveis pela derrubada das casas, quando manifestantes bloquearam os trilhos da Linha 7-Rubi da CPTM com entulhos e fogo em pneus e madeira. A Polícia Militar respondeu com o uso de bombas de efeito moral, balas de borracha e escudos para dispersar os manifestantes. Um morador foi atingido por uma bala de borracha na perna.
A repressão policial não impediu a retomada dos protestos. Já no início da tarde, funcionários da CDHU foram expulsos da comunidade e novos bloqueios realizados com queima de entulhos, causaram a interrupção da Linha 8-Diamante da ViaMobilidade, entre as estações Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda.
Os conflitos já haviam começado na segunda-feira (12), quando moradores impediram o avanço de tratores. Na ocasião, a PM também esteve presente para garantir a realização das demolições, que começaram de forma manual diante da resistência popular.
Os protestos refletem a insatisfação dos moradores com a condução da operação. Segundo os habitantes do local, as ações da PM ocorrem de forma autoritária e sem diálogo. Muitos temem que as demolições abram caminho para a remoção completa da comunidade, ameaçando o direito à moradia de famílias que ainda vivem no local. Além disso, outros ainda denunciam o uso excessivo da força por parte da Polícia Militar e a insegurança quanto ao futuro habitacional, já que nem todos foram incluídos nos programas de auxílio-aluguel ou reassentamento anunciados pelo governo.
Contudo, a CDHU, afirma que as 168 famílias que deixaram a favela voluntariamente, foram inseridas nos programas de auxílio-aluguel e habitação. A Companhia ainda alega que a presença da Polícia Militar é necessária para assegurar o avanço da operação, sob justificativa de segurança e prevenção a novas ocupações irregulares.
O terreno pertence à União, que autorizou a retirada das casas desocupadas. A Secretaria do Patrimônio da União declarou ser “indispensável” a demolição dos imóveis vazios, mas recomendou que as ações não afetem residências ocupadas nem comprometam a rotina e segurança da comunidade.
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