Golpista prometia liberação de linhas de crédito milionárias; vítimas pagaram por “assessoria” e ficaram no prejuízo

Jair Viana Publicado em 07/12/2024, às 08h55
Há três anos, usando o nome do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um grupo de golpistas fez pelo menos nove vítimas em três estados. O golpe consistia na promessa de facilitar a obtenção de linhas de crédito para diversos projetos. O principal suspeito é Marcos Alexandre Kikutake, que se apresenta como assessor parlamentar e advogado. Ele afirmava ter influência no BNDES e prometia agilizar a liberação dos recursos. A investigação está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic).
As duas primeiras vítimas, pai e filha de São Paulo, tiveram um prejuízo total de R$ 60 mil. Uma vítima de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde também mora Marcos Kikutake, perdeu R$ 30 mil. Ela havia solicitado um crédito de R$ 5 milhões, mas acabou aceitando reduzir o valor para R$ 2 milhões. No entanto, não conseguiu nada e perdeu o dinheiro investido.
Entre as vítimas de São Paulo, Marcos Kikutake prometeu liberar R$ 12 milhões. Desse total, R$ 7 milhões seriam destinados à filha, que atua no mercado atacadista e varejista, e R$ 5 milhões ao pai. Em outros casos, as perdas chegaram a superar R$ 150 mil.

“LICENCIADO”
Segundo uma das vítimas, Marcos Kikutake alegava ser assessor de parlamentares influentes no BNDES. No entanto, ele se recusava a revelar os nomes, afirmando que não poderiam ser expostos. Apresentando-se como advogado, transmitia segurança e confiança ao descrever o processo de liberação dos recursos. Com os projetos em mãos, pedia um prazo de até seis meses para liberar os valores prometidos.
REFERÊNCIAS
Para ganhar a confiança das vítimas, Marcos citava supostos casos de sucesso. Relatava histórias de pessoas que teriam obtido créditos milionários e prosperado. Ele afirmava atuar há quatro anos em parceria com o BNDES.
Um exemplo usado para convencer uma das vítimas foi o caso de um empresário de Presidente Prudente, que, ao conseguir o empréstimo, teria alavancado seus negócios. Isso reforçou a confiança das vítimas nos argumentos do golpista.
DENÚNCIA
Com o tempo, as vítimas começaram a cobrar resultados. Marcos sempre apresentava desculpas, mencionando dificuldades naturais do processo ou entraves burocráticos. Quando as explicações não convenceram mais, as vítimas denunciaram o golpe à polícia.

Mesmo com a investigação em curso, Marcos tentava manter as vítimas sob controle, propondo novas alternativas que nunca se concretizavam.
ENGANO
Para parecer mais convincente, Marcos exibia fotos ao lado de deputados, em locais que simulavam o Congresso Nacional. Em mensagens de aplicativos, afirmava estar a caminho de reuniões para resolver as questões de crédito. Nas conversas com seus comparsas, fingia que estava providenciando os recursos prometidos.

Em uma mensagem, Kikutake tentava passar a impressão de estar irritado com alguém que estaria atrasando o processo.

Uma das vítimas de Ribeirão Preto foi apresentada ao farsante por seu contador, que também acabou enganado por Marcos. Ela perdeu R$ 30 mil após aceitar a promessa de um crédito de R$ 2 milhões, mas não recebeu nenhum centavo.
OS ENVOLVIDOS
O golpista dizia contar com o respaldo de políticos influentes. Ele agia com a ajuda de sua esposa, Daiane, e de Juliano, contador de uma das vítimas, que também foi lesado. Juliano apresentava Marcos às vítimas, afirmando ter sido beneficiado por créditos obtidos com o BNDES, aumentando a credibilidade do golpe.
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