Fabiano Zettel, CEO da Moriah Asset, teve pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal apresentado no Congresso

Lívia Gennari Publicado em 14/01/2026, às 17h40
Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14), o empresário Fabiano Zettel também passou a ser investigado no âmbito da CPMI do INSS, instalada no Congresso Nacional para apurar irregularidades envolvendo benefícios previdenciários.
O nome dele aparece em um pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal protocolado no início de dezembro pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que mira a empresa Moriah Asset, da qual Zettel é fundador e CEO.
No requerimento apresentado à comissão, o parlamentar sustenta que o avanço das apurações revelou indícios de que empresas privadas teriam sido utilizadas para a circulação e eventual ocultação de recursos desviados do INSS. Segundo Correia, a medida busca esclarecer se houve favorecimentos indevidos, recebimento de vantagens econômicas ou outras práticas ilícitas associadas ao esquema investigado.
Em publicação nas redes sociais, o deputado federal Rogério Correia afirmou que os trabalhos da CPMI do INSS identificaram conexões entre lideranças religiosas e estruturas internas do instituto, o que, segundo ele, ajuda a explicar os desdobramentos recentes da investigação.
“Na CPMI do INSS, revelei as conexões entre igrejas, pastores e o bolsonarismo, com ramificações no INSS. Hoje, a PF prendeu Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, citado em investigações que envolvem o Banco Master.”
As empresas de Zettel
A Moriah Asset se apresenta como um fundo de private equity voltado ao setor de saúde e bem-estar. Em seu material institucional, a empresa afirma apoiar empreendedores com capital, estratégia e estrutura para expansão de negócios, com investimentos em áreas como alimentação saudável, frutas e suplementos voltados ao mercado fitness.
Além de sua atuação no mercado financeiro, Fabiano Zettel é pastor evangélico ligado à Igreja Lagoinha e ganhou projeção no empreendedorismo ao integrar negócios de alto padrão, como a rede de alimentação Oakberry, especializada em açaí, e a academia de luxo Les Cinq.
Ele também possui formação em Direito e já ocupou cargos administrativos em empresas associadas ao grupo empresarial de Daniel Vorcaro, seu cunhado.
Entre essas empresas está a Super Empreendimentos, responsável pela aquisição de um imóvel avaliado em cerca de R$ 36 milhões em Brasília, apontado por investigadores como um espaço estratégico para articulações e investimentos do grupo. As conexões empresariais e familiares passaram a ser analisadas tanto pela CPMI quanto por órgãos de controle.
Abordagem no aeroporto
Na manhã desta quarta-feira, Zettel foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no momento em que se preparava para embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A ação teve como objetivo o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Após os procedimentos, o empresário foi liberado.
As investigações seguem em curso tanto na Polícia Federal quanto na CPMI do INSS, que busca mapear a participação de empresas e pessoas físicas na engrenagem financeira do esquema sob apuração.
O que diz a defesa
A defesa de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, negou que o empresário estivesse tentando deixar o país de forma irregular quando foi detido pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14), no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Em nota, os advogados afirmam que a abordagem ocorreu em razão de uma viagem de negócios previamente agendada ao Bahrein, no Oriente Médio.
Segundo o comunicado, Zettel tinha retorno ao Brasil marcado para o dia 6 de fevereiro, com passagem de volta já emitida, o que, de acordo com a defesa, afasta qualquer suspeita de tentativa de fuga. Os representantes legais também destacaram que o empresário exerce atividades empresariais “conhecidas e lícitas”, sem qualquer vínculo com a administração ou gestão do Banco Master.
A nota informa ainda que, apesar de não ter tido acesso ao conteúdo das investigações, a defesa colocou-se à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos necessários e fornecer todas as informações solicitadas.
De acordo com os advogados, a medida de busca e apreensão pessoal e a detenção temporária, determinadas pelo ministro Dias Toffoli, tiveram como único objetivo evitar eventual prejuízo às diligências previstas para a manhã desta quarta-feira e ocorreram exclusivamente em razão da viagem internacional programada.
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