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Investigação

Associação investigada teve crescimento de 48.000% na arrecadação e entrou na mira da Operação Juros Zero

Relatório citado pela Justiça aponta expansão financeira considerada incompatível com a estrutura da entidade. MPDFT suspeita de descontos irregulares em folhas de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.

Investigação do MPDFT aponta crescimento de aproximadamente 48.000% na arrecadação da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal entre 2023 e 2025 - Imagem: Reprodução
Investigação do MPDFT aponta crescimento de aproximadamente 48.000% na arrecadação da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal entre 2023 e 2025 - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 19/06/2026, às 12h47


A Operação Juros Zero investiga a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) após um aumento de 48.000% em sua arrecadação em menos de dois anos, levantando suspeitas sobre um esquema de descontos indevidos em folhas de pagamento de servidores públicos.

As investigações, iniciadas pela Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas do DF, revelaram um crescimento financeiro atípico para a ASDF, incompatível com sua estrutura e número de associados, o que gerou preocupações sobre a origem dos recursos.

A operação resultou em 50 mandados de busca e apreensão em diversas instituições, incluindo o Banco de Brasília e a Secretaria de Economia do DF, com o material coletado sendo analisado para verificar possíveis crimes como fraude e corrupção, enquanto os investigados ainda não foram condenados.

A Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) tornou-se um dos principais focos da Operação Juros Zero após investigações apontarem um crescimento extraordinário em sua arrecadação financeira. De acordo com documentos que embasaram a decisão judicial que autorizou a operação, a entidade registrou um aumento de aproximadamente 48.000% em suas receitas em menos de dois anos.

A informação consta nos autos analisados pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que autorizou o cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão na operação deflagrada nesta sexta-feira, 19, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Segundo os investigadores, a ASDF ocupa posição central em um suposto esquema que teria utilizado descontos indevidos em folhas de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal para ampliar artificialmente sua arrecadação.

As suspeitas surgiram a partir de levantamentos realizados pela Secretaria de Fiscalização de Pessoal do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O relatório analisado pelas autoridades identificou uma evolução financeira considerada atípica para uma entidade associativa de porte relativamente limitado.

De acordo com os dados reunidos pelos órgãos de controle, a arrecadação da associação cresceu de forma exponencial entre os anos de 2023 e agosto de 2025. O aumento chamou a atenção dos investigadores por ocorrer em ritmo muito superior ao crescimento esperado do número de associados ou da capacidade operacional da instituição.

Na avaliação apresentada nos documentos judiciais, a evolução financeira observada seria incompatível com a estrutura administrativa conhecida da entidade, levantando suspeitas sobre a origem dos recursos e sobre os mecanismos utilizados para ampliar a arrecadação.

O Ministério Público apura se servidores públicos tiveram valores descontados diretamente de seus contracheques sem autorização válida ou mediante procedimentos considerados irregulares. As investigações buscam esclarecer como os descontos eram inseridos nos sistemas de folha de pagamento e quais instituições participaram do processamento financeiro dessas operações.

A Operação Juros Zero também investiga possíveis conexões entre associações, instituições financeiras, empresas de tecnologia financeira e órgãos públicos responsáveis pela administração da folha salarial dos servidores distritais.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que a estrutura permitiu a realização de cobranças em larga escala, gerando receitas milionárias para entidades associativas e movimentações financeiras que agora são analisadas pelas autoridades.

Além da ASDF, a operação alcançou órgãos e instituições como o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF) e a plataforma PicPay. Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Paraná.

O material recolhido durante a operação será submetido à perícia para verificar a existência de crimes como fraude, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e inserção irregular de descontos em folha de pagamento.

Até o momento, os investigados não foram condenados e as apurações seguem em andamento. As autoridades destacam que todos os envolvidos terão garantidos os direitos ao contraditório e à ampla defesa durante o curso das investigações.


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