Diário de São Paulo
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Anestesista preso

Anestesista preso por estupro responde processo por erro médico que fez paciente perder membro do corpo

Paciente diz ter sido vítima de erro de diagnóstico pela equipe de Giovanni Quintella

Giovanni está preso por estupro e teve uma audiência de custódia nesta terça-feira (12), às 13h - Imagem: reprodução Instagram @gigioqbezerra_
Giovanni está preso por estupro e teve uma audiência de custódia nesta terça-feira (12), às 13h - Imagem: reprodução Instagram @gigioqbezerra_

Publicado em 12/07/2022, às 15h07 Vitória Tedeschi


Giovanni Quintella Bezerra, médico anestesista preso em flagrante por estuprar uma mulher em trabalho de parto na última segunda-feira (11), também é réu em um processo por erro médico e indenização por danos morais. O caso aconteceu em 2018.

Além de Giovanni, outros três profissionais junto ao Hospital Mario Lioni, são processados por uma mulher que teve dois diagnósticos equivocados, um deles do anestesista, até ser atendida no Hospital de Irajá, na Zona Norte, e ser diagnosticada com H1N1 (gripe suína). Ela perdeu o dedão do pé direito e chegou a passar 23 dias em coma.

A paciente foi atendida no Hospital Mario Lioni, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com "delírios, calafrios, dificuldade na respiração, com falta de ar, tossindo muito e tontura". Apesar do quadro clínico poder indicar algo mais grave, ela foi diagnosticada com infecção urinária, recebeu medicamentos e teve alta para ir para casa. 

Sem melhoras em seu estado de saúde, a mulher retornou ao hospital, onde desta segunda vez foi atendida por Giovanni. Segundo consta no processo divulgado pelo G1, o anestesista reforçou o diagnóstico de infecção e disse que a paciente estaria com "ansiedade, e que seu estado físico estava bem".

Com o tempo correndo e sem um diagnóstico preciso do que a paciente realmente tinha, os sintomas pioraram e a mulher passou a se questionar de "fortes dores de cabeça, dores nas costas, tosse com sangue e intensa falta de ar e dor no pulmão". Foi quando pela terceira vez ela retornou para ser consultada por um terceiro profissional, um cardiologista. 

No entanto, com o quadro cada vez pior, ela já sentia "enorme falta de ar, chegou a ter sua visão afetada, em virtude da falta de oxigenação para a córnea, causando cegueira momentânea, tossindo catarro com sangue, de espessura grossa e de grande volume, afetando seu raciocínio, mobilidade motora, pressão elevada, dormência e desorientação no tempo e espaço", ainda de acordo com o processo.

O diagnóstico correto só foi confirmado em outra unidade hospitalar, em uma quarta consulta. Quando ela soube que o que estava desencadeando todos os sintomas era na verdade uma pneumonia severa, com 75% de seu pulmão já comprometido, devido ao vírus H1N1. 

Por conta da doença, e demora no diagnóstico e tratamento, foi que a mulher ficou em coma durante 23 dias e perdeu o dedão do pé direito. 

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