Governo brasileiro cria comitê para monitorar os impactos das tarifas e buscar soluções para minimizar os prejuízos

Redação Publicado em 19/07/2025, às 17h45
A imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já provoca efeitos negativos na economia brasileira, mesmo antes de sua vigência, prevista para 1º de agosto. Importadores americanos estão cancelando pedidos com receio de que as cargas cheguem após a data e sejam taxadas, enquanto empresas brasileiras freiam a produção para evitar prejuízos. A medida afeta setores variados, de frigoríficos a produtores de café, e ameaça empregos em várias regiões do país.
No Mato Grosso do Sul, quatro frigoríficos — JBS, Naturafrig, Minerva Foods e Agroindustrial Iguatemi — suspenderam a produção de carne para os EUA, que são o segundo maior mercado da proteína brasileira. A decisão busca evitar a formação de estoques, já que a tarifa extra tornaria as vendas inviáveis. O estado também teme perdas na piscicultura, pois 99,6% da tilápia local é destinada ao mercado americano.
No Piauí, a exportação de mel orgânico foi duramente atingida, com cancelamento de pedidos que somavam 500 toneladas. O Grupo Sama, um dos maiores exportadores, está arcando com custos extras para armazenar o produto de pequenos produtores do Nordeste.
No Paraná, a indústria madeireira BrasPine concedeu férias coletivas a 700 funcionários após a suspensão de embarques. Os EUA são destino de 42% da madeira exportada pelo Brasil. Já no Rio Grande do Sul, o setor moveleiro também interrompeu exportações.
Nos portos de Salvador, Pecém e Suape, 58 contêineres de pescados — incluindo peixes, camarões e lagostas — foram retirados de navios após importadores americanos suspenderem as compras. O setor pesqueiro, que destina 70% de suas exportações aos EUA, está em alerta.
No Espírito Santo, líder na exportação de rochas naturais como mármore e granito, embarques foram suspensos a pedido dos compradores, afetando um setor que depende 66% do mercado americano. O governador Renato Casagrande já se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir os impactos.
No Porto de Santos, por onde passa grande parte das exportações de café, estima-se uma perda de até R$ 145 milhões em receita e risco de centenas de demissões. Com o novo imposto, o café brasileiro pode sofrer aumento de até 400% no custo para os EUA, inviabilizando as vendas.
Em Pernambuco, o alerta se estende à indústria da cana-de-açúcar, uvas frescas e estruturas metálicas, já que os Estados Unidos são o segundo maior comprador desses produtos.
O governo federal criou um comitê para acompanhar os setores mais afetados e buscar soluções para minimizar os prejuízos.
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