Sistema encerrou o mês de junho com 39,87% da capacidade e Sabesp terá de reduzir retirada de água dos reservatórios

Julio Cezar Souza Publicado em 01/07/2026, às 10h52
O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água para São Paulo e região metropolitana, passou a operar na faixa de alerta nesta quarta-feira (1º/7) após registrar queda no volume armazenado ao longo dos últimos meses.
O reservatório encerrou junho com 39,87% de seu volume útil, índice inferior ao registrado em maio, o que levou à mudança de categoria prevista no Protocolo de Escassez Hídrica adotado no estado.
Com a nova classificação, a Sabesp deverá diminuir a captação de água do sistema. A retirada, que anteriormente era de 33 metros cúbicos por segundo, passa a seguir o limite autorizado de 27 m³/s. A companhia também poderá recorrer à vazão transposta da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, dentro das regras estabelecidas pelos órgãos reguladores.
A entrada na faixa de alerta representa uma medida preventiva diante da redução dos níveis dos reservatórios. Desde abril, o Cantareira vinha operando na chamada faixa de atenção, considerada menos restritiva.
O protocolo utilizado pelo estado foi criado após a crise hídrica enfrentada entre 2014 e 2015, quando São Paulo sofreu com uma das maiores reduções de disponibilidade de água de sua história. As regras estabelecem medidas graduais conforme a situação dos mananciais.
Impacto no abastecimento da Grande São Paulo
Apesar da mudança no Cantareira, o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne todos os reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo, permanece na faixa 3.
Nesse estágio, a Sabesp mantém a chamada gestão noturna da pressão na rede de distribuição. A redução acontece durante 10 horas por dia, entre 19h e 5h, como forma de preservar água nos reservatórios.
Em áreas mais afastadas da rede, especialmente locais sem caixas d’água adequadas, a medida pode aumentar o risco de falta temporária de abastecimento.
O Sistema Cantareira é formado por cinco reservatórios e atende aproximadamente metade da população da região metropolitana de São Paulo, além de contribuir para o abastecimento de cidades como Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Órgãos reforçam uso consciente
Em comunicado conjunto, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP-Águas) destacaram a necessidade de medidas para reduzir perdas, preservar os estoques disponíveis e estimular o consumo consciente.
As autoridades afirmam que a gestão dos recursos hídricos deve continuar sendo feita de forma preventiva para evitar um agravamento da situação dos reservatórios durante o período de menor disponibilidade de chuvas.
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