Ricardo Magro, empresário à frente do Grupo Refit, é alvo de uma megaoperação que investiga supostos esquemas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro

William Oliveira Publicado em 27/11/2025, às 11h41
O Grupo Refit, controlado pelo advogado e empresário Ricardo Magro, é alvo de uma megaoperação destinada a desmantelar supostos esquemas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A empresa é considerada a maior devedora de ICMS em São Paulo e figura entre as mais significativas no Rio de Janeiro e na esfera federal, estando sob investigação por supostamente causar prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Na quinta-feira (27), Magro voltou a ganhar destaque na mídia em razão da operação, que atinge não apenas o conglomerado responsável pela Refinaria de Manguinhos, mas também outras empresas do setor de combustíveis.
Ricardo Magro, de 51 anos, natural de São Paulo e residente em uma área nobre de Miami, nos Estados Unidos, dirige o Grupo Refit desde 2008. Formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) e especialista em direito tributário, ele possui um histórico controverso no mercado de combustíveis, com conflitos frequentes com o fisco.
O empresário atribui sua reputação de “maior devedor de ICMS do país” a suposta perseguição de grandes players do setor. Em declarações anteriores, acusou a Cosan, controladora da Shell no Brasil, de articular campanhas contra ele via o Instituto Combustível Legal (ICL).
Além disso, Magro e sua empresa foram citados na Operação Carbono Oculto, realizada em agosto, que investigou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no comércio de combustíveis. Documentos oficiais associaram a Refit a transações envolvendo empresas ligadas à facção criminosa, embora a Polícia Federal não tenha realizado buscas ou apreensões na empresa até o momento.
A relação do empresário com o PCC inclui alegações de ameaças, decorrentes de sua colaboração com autoridades para expor práticas criminosas no setor. Em 2016, ele também foi alvo da operação Recomeço, que apurou desvios relacionados a fundos de pensão da Petrobras e dos Correios.
O histórico do Grupo Refit com órgãos reguladores também é problemático. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já interditou a refinaria diversas vezes por indícios de irregularidades no refino. Recentemente, o local foi novamente fechado após ordens judiciais.
Apesar dos desafios legais e das controvérsias, a Refit buscou parcerias estratégicas, incluindo patrocínios à NFL e uma linha de combustíveis associada ao UFC em 2022.
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