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Estupro de Vulnerável

Rede liderada por piloto pode ter ultrapassado fronteiras de SP

A Polícia Civil investiga a possibilidade de que o piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, tenha feito vítimas em outros estados, após análise do material apreendido em seu celular indicar contatos fora de São Paulo

Sete vítimas já foram identificadas - Imagem: Divulgação
Sete vítimas já foram identificadas - Imagem: Divulgação

William Oliveira Publicado em 11/02/2026, às 09h01


As investigações da Polícia Civil sobre a rede de exploração sexual de crianças e adolescentes atribuída ao piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, indicam que o alcance dos crimes pode ter ultrapassado os limites do estado de São Paulo. A rotina profissional como piloto teria facilitado deslocamentos e ampliado a atuação do investigado.

Em entrevista ao programa Acorda, do portal Metrópoles, a delegada Luciana Peixoto informou que a análise do material apreendido no celular do suspeito aponta contatos com possíveis vítimas em outras unidades da federação. 

“No celular dele [piloto], foi encontrado um vasto material. Verificamos que existe contato fora do estado de São Paulo, já que ele tinha uma flexibilidade por ser piloto de avião”, afirmou a delegada.

Até o momento, sete vítimas foram formalmente identificadas, mas a polícia trabalha com a estimativa de que ao menos dez menores tenham sido abusados. Segundo as apurações, o investigado frequentava bares nas zonas Norte e Leste da capital paulista, onde iniciava relacionamentos com mulheres. Após conquistar confiança, questionava se elas tinham filhos ou netos e passava a negociar pagamentos para obter acesso às crianças e adolescentes.

Confira o momento em que piloto é preso:

Coação e aliciamento

A diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, afirmou que o piloto não apenas cometia os abusos, mas também coagiu vítimas a atrair outras menores. Conforme os depoimentos, sob ameaça de divulgação de imagens, algumas crianças foram pressionadas a apresentar colegas de escola ao suspeito.

Relatos de duas irmãs, atualmente com 14 e 18 anos, contribuíram para esclarecer a dinâmica do esquema. De acordo com a investigação, parte dos abusos ocorria dentro do veículo utilizado pelo piloto.

Avó "vendia" netas 

Denise Moreno, de 55 anos, é acusada de comercializar as próprias netas a piloto - Imagem: Divulgação / Polícia Civil
Denise Moreno, de 55 anos, é acusada de comercializar as próprias netas a piloto - Imagem: Divulgação / Polícia Civil

A investigação também destaca a participação de Denise Moreno, de 55 anos, avó de três vítimas, apontada como peça central na intermediação dos encontros. A polícia sustenta que o esquema envolvia pagamentos de baixo valor e auxílio financeiro às famílias.

Entre os repasses identificados estão:

  • Transferências via Pix entre R$ 30 e R$ 100 por imagem ou encontro;

  • Pagamento de despesas como aluguel e medicamentos;

  • Compra de bens, como eletrodomésticos, para manter acesso contínuo às vítimas.

Além dos abusos, o piloto é investigado por possível atuação como intermediador de outras pessoas interessadas no material, ampliando a rede criminosa. A Polícia Civil trabalha em cooperação com autoridades de outros estados para identificar eventuais desdobramentos fora de São Paulo.

O que diz a Latam?

Em nota oficial, a Latam Airlines Brasil confirmou estar ciente da prisão de seu tripulante e informou que abriu uma apuração interna imediata. A companhia destacou que "repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta".

A empresa afirmou ainda estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Apesar do impacto da ação policial dentro do avião, a Latam informou que o voo operou normalmente, cumprindo o cronograma de decolagem e pouso previsto.


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